DISCLAIMER


DISCLAIMER: 1. The risk of trading equities and/or derivatives can be substantial. 2. Any decision to purchase or sell as a result of the opinions expressed in this blog will be the full responsability of the person authorizing such transaction. 3. Past performance is not indicative of future results.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A Message From A Reader - I

Esses dias recebi um email de um amigo leitor do blog. Dentre outros assuntos, comentou que percebe claramente minha filosofia em não comentar papéis específicos da Bovespa para que se sobressaiam as idéias gerais de análise. Verdade. De imediato, quis me diferenciar daqueles programas de auditório onde dezenas de internautas pedem opiniões sobre dezenas de papéis para escutar sempre os mesmos diagnósticos ("se chegar a...pode ir a..."). Quanto desperdício de tempo...Curioso como as análises do tipo "se-chegar-pode-ir" abundam nesses espaços virtuais. Sabem os "animadores de auditório" que preços estão em consolidação em 70-75% do tempo? Se me pagassem muito bem para animar esses espaços - conhecidos como fóruns de mercado - minha análise preferida seria algo do tipo "não vai a...e muito menos a..." Claro, seria demitido em pouco tempo. As pessoas gostam de emoção e empulhação.

Os que conseguem sobreviver ao mundo mágico dos chats e adquirem algum conhecimento ortodoxo em TA passam a achar que começarão a ter retornos consistentes decorando formações gráficas, esperando que o resultado seja igual ao do livro-texto. Oh boy...O objetivo essencial da análise do gênero técnica é perceber o comportamento da maioria dos players do mercado e suas alterações. E não traçar linhas de tendências, curvas, linhas de retração e identificar pontos de oferta e demanda. Esses são apenas ferramentas (em algumas raras ocasiões, inúteis). Se nem esses instrumentos forem capazes de servir de orientação, em tese, estaríamos diante de um mercado anômalo, do qual manter distância seria a atitude mais sensata.
(continua)

domingo, 11 de janeiro de 2009

Faber's 2009 Outlook

Aparições televisivas de Marc Faber têm de ser acompanhadas. Hoje a Bloomberg levou ao ar uma entrevista de 15 minutos (hat tip to Samuel).

Tenho preferência por analistas que deixam "conflitos de interesse" de lado ou operam fading the markets (contra a tendência). O Editor do Gloom, Boom and Doom Report é um deles. O ponto alto da entrevista dura apenas alguns segundos. Ocorre quando a entrevistadora pergunta o que ele acha do plano a ser anunciado por Obama. De imediato escutam-se risadas de Faber, em meio a uma tomada de câmera feita às suas costas. Com seu sotaque peculiar, diz que no curto prazo a ajuda deve funcionar. Mas estão criando condições para uma crise muito mais séria adiante porque nenhuma iniciativa para segurar asset prices funciona no longo prazo. A parte do diálogo que me parece ser o apogeu transcorre mais ou menos da seguinte maneira:

- Faber: "Nada. Não há muito o que fazer a não ser deixar as coisas acontecerem. Em um sistema capitalista se temos 100 empresas temos que deixar as mais aptas sobreviverem."

- Bloomberg: "Como assim? Você diria isso para as pessoas que estão desoladas em Detroit?"

- Faber: "Não. Diria que estão assim por causa das intervenções dos governos. Mantiveram os juros excessivamente baixos por muito tempo."

- Bloomberg: "Então o sistema capitalista é quase Darwiniano?"

- Faber: "Sim, é. Se as pessoas não estão preparadas para o downside do capitalismo deveriam ser socialistas."

Que sinceridade desconcertante...Vida longa ao Dr. Faber.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A Gooooood Question...

O amigo Lafayette Jota - conhecido forense do mundo bursátil - um dia formulou uma pergunta muito interessante. Algo mais ou menos do tipo:

"Fact, você tem por hábito analisar o Ibovespa dolarizado. Como fica sua análise quando há variações grandes no câmbio? O seu target imaginado se altera?"

Em uma postagem mais antiga comentei que tinha por hábito analisar preços em USD porque dessa análise surgiam pontos peculiares de oferta e demanda, não necessariamente visíveis em BRL. Dada a sensível inteligação de preços nas praças financeiras mundo afora, as oportunidades de arbitragem diminuíram sensivelmente. "Desníveis" de preços são corrigidos quase imediatamente.

Hoje vimos um dia pouco comum no qual price action e pair USD-BRL caminharam na mesma direção. Geralmente subidas no Ibovespa trazem valorizações do câmbio. Assumir qual mercado puxa o outro é uma tolice. Isso é totalmente irrelevante. No fechamento de hoje o iShares Emerging Markets perdeu 0,43%. O iShares Brazil ganhou 0,82%. O Ibov/USD Com. subiu 0,53%. Pequena diferença. Até aí nada demais...Mas a desvalorização do câmbio hoje em 1,88% precisou de um contrapeso no price action do Ibov que precisou subir 2,87%. Ou vice-versa. No final das contas, minha convicção é a de que é sempre preferível analisar mercados em "moeda forte". E - queiram ou não - o USD ainda é uma delas. Por derradeiro, vale observar que em certos dias a natureza do mercado é clara. No entanto na maioria das vezes, não o é. E pra mim hoje foi um destes dias...

It Is What It Is.

Hoje um leitor se desligou da assinatura das postagens do blog. Não sei de quem se trata. Apenas recebo a comunicação. Acho que aos poucos vou conseguindo meu intento: afastar os "Zé Casquinhas", aqueles que estão atrás de uma dicazinha de curto prazo. Aqui procuro ensinar a pescar. Quem quiser o peixe pescado siga adiante. O meu blog é basicamente um trading diary. Quem procura entretenimento pode sempre fazê-lo algures na Internet. De maneira análoga, tenho aqui nesse espaço rejeitado parcerias com corretoras.

Well, voltemos à vaca fria...Gentlemen, qual o programa mais divertido que Zorra Total ou Saturday Night Live? Bloomberg, claro! Nesse canal vemos entrevista de, assim chamados, analistas que descortinam obviedades com base no price action do dia. Ou seja, se estiver caindo veremos justificativas para a queda. E se estiver subindo, idem. Os telespectadores da Bloomberg são basicamente os mesmos leitores da Info Monkey. Acham que estarão mais bem informados se estiverem atualizados com as notícias du jour.

Bom, olhando o price action dos mercados, parece-me que no curto prazo encontrarão enorme dificuldade de seguir adiante em seu relief rally. Buying volume decresce nitidamente. Credit spreads (travas de baixa) em opções devem ser uma estratégia vencedora esse mês, a partir de hoje.

O Markets by Fact Finder é o que é. It is what it is. Charts never lie.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Madoff And The Relief Rally

Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Só que me deu uma vontade de fazer um comentário breve a respeito do Madoff Ponzi Scheme que "escandalizou" a comunidade financeira. Os leitores já deveriam estar acostumados com o alto nível de hipocrisia dessa comunidade.

Qual a diferença entre os fundos da Madoff Investment Securities e os ex-bancos de investimento do tipo Bear Stearns et alli?

Há muito mais semelhanças que diferenças. Ambos não poderiam cumprir com suas obrigações caso ocorresse um bank run. Ambos enriqueceram ainda mais seus acionistas e CEOs. E apenas o segundo possuía garantia limitada da FDIC (instituição garantidora de depósitos). Então por que Mr. Bernie Madoff deve ser processado por fraude enquanto os demais CEOs continuam jogando golfe?

Mudando de assunto....falemos um pouco desse relief rally. Acreditar na vida longa dele seria o mesmo que acreditar que o dumb money ficou smart. Boa parte dos retail investors já está dentro do barco e confiante, aspecto anteriormente já analisado. Não é preciso ir muito longe...Basta perceber o início das mensagens alvissareiras nos fóruns e a tendência crescente no número de acessos ao M. by F.F. Credite-se esse fato ao final das festas de final de ano também. Com alguma expertise é possível fazer desse limão uma limonada, algo na base do swing trading. Mas, por questão de princípios, prefiro seguir aquela frase...Do not buy into major declining moving averages (on the weekly).

sábado, 3 de janeiro de 2009

What Is It? Is It A Bubble?! Ruuuunnn!!


A uma das sequelas* deixadas nos cidadãos pela violência urbana os especialistas dão o nome de estresse pós-traumático. Tomemos o exemplo de um taxista, vítima recente de um "sequestro-relâmpago" perpretado por falsos passageiros. Apesar das diversas pessoas que entram e saem de seu veículo durante sua jornada diária, cada uma delas passa inevitavelmente a ser vista como uma potencial ameaça. A perturbação psíquica faz com que acontecimentos corriqueiros remetam-no à experiência de violência a que foi submetido. Os sintomas são semelhantes com os da mais conhecida Síndrome do Pãnico. No entanto, as patologias não se confundem.

De forma análoga, o price action visto nos mercados de equities no segundo semestre do ano passado criou uma nova leva de "estressados pós-traumáticos". Com a percepção alterada, um percentual significativo deles tenderá a achar que qualquer movimento mais volátil de preços denota a formação de uma bolha. Inexiste uma definição de bolha pelo NBER (bureau econômico yankee). Mas sabe-se naturalmente que o que se convencionou chamar de bolha leva alguns anos para fazer ploft.

A nova histeria é aquela observada nosTreasuries de 10 e 30 anos. Enquanto houver inúmeras vozes vaticinando a existência de tendências parabólicas, preços continuarão a subir. Em termos técnicos uma bolha é apenas um blowoff de preços visto em um timeframe de longo prazo. No daily chart mostrado percebe-se um exaustion gap - responsável por alguns artigos esparsos sobre o tema - sinalizando queda momentânea de preços. Segundo a literatura especializada, tais fenômenos gráficos dificilmente sinalizam major reversals. Ao technician descuidado pode passar despercercebido que em um timeframe mensal, o que ele acha que é um estouro de uma bolha, mais parece um major breakout (preços emergindo de consolidações para cima), dando continuidade à redução contínua de yields que se estende desde a década de 70. Eventualmente qualquer tendência de alta pode entrar em parabolic trend. Mas claramente não é o que vejo no momento.

* Está certo, Prof. Pasquale?

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Projections For 2009 (!?)

Curioso que eu inicie a primeira postagem falando de projeções...Logo eu que não acredito nelas. Talvez tenha feito mau uso do vernáculo. Minha projeção é simples: O price action de 2009 será diferente daquele que a maioria dos analistas projeta. Seria então mais uma "antiprojeção" (de acordo com a reforma ortográfica?). A reforçar minha opinião, essa é uma das regras de Bob Farrell - ex-market technician da Merrill Lynch - em seu 10 "Market Rules To Remember" ("When all the experts and forecasts agree -- something else is going to happen").

Recentemente tomei conhecimento de um bom e sucinto artigo de Derek Polcyn da InvestWELLFinancial.com sobre seasonal effects nos mercados yankees, o que - claro - traz direta repercussão nos demais mercados. Aborda basicamente os efeitos sazonais mais observados nas últimas décadas em Wall Street. No fundo leio o artigo mais pelo mérito da compilação do autor que propriamente sinta que poderei tirar proveito de um desses efeitos no curto prazo. A explicação é simples...Não tenho visto nenhum deles recentemente se confirmar. O Santa-Claus rally ficou só no "ho-ho-ho" como suspeitava. E talvez o bom retrospecto positivo do January Effect também (vide artigo) seja outra fonte de frustração.

Minha justificativa se baseia na análise do mosaico apresentado. Vejo otimismo estranho entre os option players, tanto visto na CBOE quanto na ISE (equity only). Nesse níveis o último registro vem de meados do ano passado. Explicar por que acontece isso ou aquilo é tarefa favorita dos fundamentalistas ortodoxos (leia-se, aqueles que gostam de tomar cegamente como parâmetro os resultados corporativos dos últimos anos e projetá-los adiante). Mas não deixa de ser um entretenimento para mim. Acredito que mais uma vez o mercado esteja se ajustando - aí incluo os hedge fund pros também - para mais um seasonal effect historicamente positivo (above-average). Como se sabe...quando a maioria espera um desenlace ele não ocorre. No entanto, não confie em projeções. Nem na minha.

Happy New Year.