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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

My Bearish Case For 2009-2010

Estatisticamente poder-se-ia dizer que bear markets duram aproximadamente 30-35% do bull market anterior. É razoavelmente aceito que o último bull market se iniciou em meados da década de 70, após a Crise do Petróleo. Como comentei em alguma postagem anterior, até 2002 e início de 2003 era muito comum analistas traçarem um paralelo entre os US markets e o Nikkei japonês. Quem efetuar uma busca pela internet poderá comprovar o fato. A partir daí a coisa começou a complicar um pouco. Embora alguns notórios analistas (Richard Russell e Mark Faber, por exemplo) estivessem desacreditando o rally que se iniciou em 2002, o fato é que se viu uma injeção de liquidez sem precedentes na história econômica yankee. Não houve melhora nos fundamentos macroeconômicos dos EUA que justificasse um novo bull market. Claro que isoladamente tivemos empresas que revolucionaram seus mercados de atuação (Apple, Research In Motion [CAN], Google, etc). Mas, no geral, os alicerces econômicos pioraram sensivelmente.

Se partirmos para a hipótese mais otimista: a de que o bull mkt teve início em 2002 e terminou em 2007, poderíamos esperar que o bear mkt durasse um pouco mais de um ano e meio. Mas considerando o tempo já decorrido e os technicals apresentados, essa hipótese parece bem improvável. [À medida que digito vejo o DJIA em consolidação abaixo da área sensível de 8k pontos em situação extremamente sobrevendida no monthly chart. Não acho que 7500 seja uma área de demanda forte.] A outra alternativa seria simplesmente considerar que o bull mkt anterior se iniciou no meio da década de 70 e se estendeu até 2000 (typo corrigido). A inevitável conta sugere que tenhamos um mercado difícil por um longo período. Observe-se que um mercado de lado também pode ser considerado obra de bears. Pronto. Podem jogar pedras e me amaldiçoar (principalmente os fundamentalistas ortodoxos). :)

Stimulus Package: Another Bullshit On The Block

Periodicamente a mídia elege um assunto que toma de assalto as pautas dos jornais. Agora a bullshit du jour é o pacote de estímulo aos bancos yankees proposto por Mr. Timothy Geithner, sucessor de Henry Paulson. Poucos devem parar para ler as frases que coloco à direita. A de Jay Snelson ao lado é conveniente ao momento. Quanto mais interesse se dá a um assunto menos importante ele é. Ser um profundo conhecedor do plano aprovado em Capitol Hill em nada te ajudará a ganhar dinheiro ou deixar de perdê-lo em mercados de renda variável.

O que me deixa realmente estupefato é sentir que esperam que o mesmo engodo praticado pelo ex-Chairman Alan Greenspan de 2000 a 2007 agora seja a salvação. Ora, se o excesso de liquidez está na raiz do problema atual como é possível que pacotes sirvam para repará-lo?! Stimulus packages (TARPs, "bad bank, good bank" et alli) simplesmente remove a podridão dos balanços. São piores que injeções de liquidez pontuais. Agem sobre o resultado e não sobre o problema. Nada mais. Não devolve a rentabilidade do setor bancário. Acomoda CEOs. E não estimula soluções criativas dos staffs corporativos. O ser humano não produz em ambiente confortável. Recentemente o próprio estrategista do BoA, Richard Bernstein, admitiu que "o plano bancário não irá funcionar". Ouch! Noriel Roubini, superstar do caos de crédito e odiado por fundamentalistas, propriamente alertou que sem ajuda do Tesouro a recuperação da economia seria em "V", com ela, em "L". Me baseando em uma análise de sentimento me parece que isso irá tomar a forma de um bumerangue. Tomo emprestadas as palavras de Bob Farrell: "When all the experts and forecasts agree -- something else is going to happen".

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Markets Abhor Vacuums - II

Price action de hoje é perfeito para um followup do primeiro episódio. Quem tem acompanhado o MFF não pode ter ficado surpreso ao ver que as máximas do Brazil iShares ficaram na região mencionada por mim há poucos dias. Algo interessante, por outro lado, foi ver alguns comemorando a queda pequena do Ibroxespa se comparada à dos benchmarks yankees. Isso deriva da incompreensão do ebb-and-flow dos mercados. O "efeito elástico" faz com que estes se alternem em dominância. Enganam-se ao achar que essa aparente "resistência" continuará por meses a fio. Esse fato foi mostrado nos últimos charts.

Analisando o timeframe de 60 min novamente, percebe-se que a antiga região de resistência rompida (em tese, novo suporte) voltou a ser resistência. Uma segunda leva de compradores - na maior parte ATs de curto prazo - agora ficou presa já que o selloff intenso não permitiu uma saída honrosa a tempo hoje. Um technician que opere em timeframes maiores não compra nos níveis atuais. Well...back to square one, folks. Compreendam o mindset do mercado. Decorar não irá adiantar.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Markets Abhor Vacuums

O price action congestionado em 60 min e aparentemente caótico mostra como o mercado curiosamente detesta vácuos. Gaps são grandes amigos dos technicians. As fortes emoções dos players a eles relacionadas servem como targets confiáveis dentro do timeframe examinado. Eventualmente esses "buracos" acabam sendo superados, à medida que os investidores que estavam segurando o prejuízo vão zerando suas posições no breakeven ou próximo dele. O envio de um chart com o último candle "aberto" é proposital. Depois vamos conferir o que aconteceu na região entre as linhas tracejadas...

Update de fechamento: Já no primeiro teste bulls mostraram força e conseguiram fechamento no diário e no semanal acima da "janela". Bom sinal.

Dada a especificidade e interesse s/ o assunto criei o marcador "gaps".

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Contrarian Mania


Chamou-me a atenção um artigo publicado por Anatole Kaletsky no TimesOnline (clique aqui). Por lá o conhecido jornalista britânico larga nas entrelinhas uma visão bullish ao identificar como extremamente pessimista a visão dos Ministros e Chefes-de-Estado presentes em Davos. E, segundo o autor, a história está sempre a nos mostrar que o clima de catástrofe em momentos difíceis da economia nunca vingou. Cita exemplos, como o da crise do início da década de 90.


Uma das coisas mais difíceis é ser um contrarian. É uma arte. Alguns investidores ingenuamente elegem um pequeno espaço amostral de pessoas e tiram suas conclusões a partir dali [esse é um comentário geral e não se refere especificamente ao artigo de Kaletsky]. Para se inferir alguma confiabilidade de um contrarian indicator (CI) é preciso que ele se repita um número suficiente de vezes e seja mensurável, de modo que leituras extremas sejam mapeadas. Além disso, convém que seja interpretado à luz dos technicals que se apresentem. Indicadores de sentimento servem de suporte aos technicals. Por isso, não vejo como um fundamentalista ortodoxo possa tirar proveito de um CI.

Durante o bull market cansei de ler mensagens de forenses e internautas que associavam o cadastro de seus colegas de trabalho em homebrokers como CIs ou lançamento de cursos de AT a torto e direito. Ora, nesses clichés não há mensuração confiável. Além disso, conforme comentei em outra postagem, o combustível de altas no IBroxespa sempre é a entrada de recursos estrangeiros. Então por que se preocupar com o vizinho da mesa ao lado ou com os cursos daquele picareta que garante um trading system infalível? O universo de observação do contrarian de Pindorama - na minha opinião - deve sempre ser centrado fora daqui. Cabe a cada um desenvolver seu ferramental.

Procurei na CNN Money por uma enquete recente - publicada há menos de um mês - de interesse para a postagem. Achei algo curioso. Vejam lá: 49% dos votantes acreditam que está próximo. Seria a primeira vez na história recente dos mercados em que o dumb money acerta o fundo de um bear market? Desculpem-me mas acredito ser esse poll bem mais confiável que o feeling de Mr. Kaletsky.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Order Amid Chaos - II

Para melhor compreender esse tipo de chart, clique aqui. Qual a diferença no price action relativo entre os dois momentos que nos interessa? Percebe-se que em 2 meses o ETF Brazil teve uma melhor performance frente às demais averages, fazendo com que se igualasse à dos ETF Emerging Markets. É fundamental compreender o ebb-and-flow de preços. Não convém olhar demais as árvores e acabar se perdendo na floresta. Os mais ansiosos interpretam essas melhoras pontuais como bear markets bottoms. E os "comerciantes" do mercado já se dão conta de que possuem mais uma arma no arsenal da propaganda.

Para não encompridar o assunto imaginem o price action como bandas de elástico. As bandas que se esticam mais violentamente em uma direção tendem a mostrar um poder de reação maior em sentido contrário depois de um tempo (Segunda Lei de Newton, digamos). Nota: essa "lei" é muito mais confiável no mundo dos benchmarks que no de ativos isolados. Daí é de se esperar que nessa reação as behemoths do mercado de Pindorama - Petrobrás, Vale et alli - sejam leading nessa reação.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Brazil iShares - A Plain-Vanilla Analysis

O momento é, por assim dizer, uneventful. Um dead-cat bounce está em curso para o ETF Brazil. Nesse estágio o price action é positivo mais pela falta de vendedores que propriamente pelo apetite de compradores.

A uptrend - que amparou boa parte do bull market - em amarelo lembra-nos de que sempre vale a pena analisar mercados em "moeda forte". A extensão desse raciocínio nos faz presumir que as linhas tracejadas sejam pontos importantes de oferta. Observem com muita atenção a região de 40. Vale a pena ressaltar que, por ser muito inclinada, isoladamente, a downtrendline tracejada não seria tão forte. Mas não é esse o caso. E mantenham esse chart no bolso de trás da calça. Volto a ele futuramente.