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sábado, 20 de setembro de 2008

Play It Again, Mr. Prechter

Dando uma arrumada nas minhas prateleiras, reencontrei uma edição da Stocks & Commodities Mag de 2004*. De relevante, para o investidor yankee de longo prazo (se é que alguém lembra o que é isso), há uma entrevista do lendário Robert Prechter. Tornou-se mundialmente conhecido por ter previsto com notável precisão a Black Monday de 1987 baseando-se nos estudos de Ralph N. Elliott, autor da Teoria das Ondas que leva seu nome. Desde então, sumiu praticamente da grande mídia televisiva. Embora continue publicando suas obras com notável consistência de idéias.

O fulcro do referido artigo é a associação que o autor faz entre a evolução dos fundamentos macroeconômicos dos E.U.A. ao longo das décadas desde a Grande Depressão e a fase corretiva da Teoria de Elliott em seu chamado Grand Supercycle, o mais extenso. De acordo com os dados levantados por Prechter, a deterioração em números como os de endividamento governamental e do consumidor, crescimento real do PIB americano, utilização da capacidade instalada, taxa de desemprego, entre outros é cristalina; tendo claro paralelo com aquela experimentada pelo Japão na década de 80. E culminou em uma estagnação econômica para aquele país por anos a fio. Os dados macroeconômicos mencionados no artigo são os disponíveis até sua edição. Tomemos - como exemplo - a taxa atual de desemprego de 6,1%, segundo a estatística oficial (altamente discutida) , o maior valor em 5 anos. Isso em meio a um Fed Funds Rate situado em patamares historicamente baixos.

Argumenta-se ainda que a estagnação japonesa não foi tão expressiva porquanto ocorreu simultaneamente a certa retomada econômica yankee, refeita dos estragos da década de 70. Até 2003 era comum ver pela web uma associação entre price actions da Nasdaq e do Nikkei da década de 90. Alguns sítios até sobrepunham um sobre o outro. Uma política monetária novamente expancionista do Federal Reserve durante o período quebrou essa "sincronia" e esfriou a discussão. A questão candente - diante do aumento do endividamento americano após sucessivos bailouts - é até quando as fiat currencies terão respaldo do mercado. Podemos estar presenciando o início de uma reorganização profunda do sistema financeiro mundial. Future will tell.

* Tentei localizar o link para download pago, mas não o encontrei.

8 comentários:

aguia disse...

Fact:

se esta reestruturação vier mesmo(I don't believe nem um tiquinho) e não ficar apenas na intenção motivada pelo pré crash atual (more probable); teriam que mexer, entre tantas mazelas picaretaveis (pode ser escrito separado), também naqueles tais Derivativos, um incerto meio quatrilhão de dólares, ora à deriva na estratégica zaga da pequena área do MFI.

acontece que os donos desta bola são os mesmos intocaveis (o SF NÃO PODE QUEBRAR nunca, lembra?) que sempre conseguiram transferir para as massas, as massas falidas de suas mazelas satisfazendo sua incomensuravel sêde com o suor de todos.

mudando de assunto, vc já viu algum banqueiro em particular ou financista, ou general, na geral, plantar siquer um pé de milho?

( )ão.

Fact Finder disse...

Reestruturação desse naipe pode levar anos. E será a fórceps. Não pense que terá apoio dos yankees. Como digo, déficits não têm a menor importância, a menos que os credores queiram o seu ao mesmo tempo.

Leo disse...

Fact, à luz disso, é fácil ver que os credores do Tio Sam obviamente não estão muito contentes com a desvalorização do dólar + taxas de juro historicamente baixas. Com um volume de dívida historicamente alto (+ 500 bi de bônus), I wonder what would happen in yankeeland if seja necessário por algum motivo, say, dobrar ou triplicar as taxas de juros.

Leo disse...

Correção: o primeiro número que ouvi foi 500 bi. Acabo de abrir o jornal e já se está falando em 1 tri, que "facilmente pode dobrar".

Esse sistema capitalista está mais para uma mistura de sistema socialista com as castas hindus, onde os chacras e párias dividem-se de acordo com sua cota de imposto de renda, enquanto financiam as mansões dos brahmans que, para tanto, basta (espaço reservado para palavras de baixo calão) com todo os sistema financeiro a cada 5-10 anos.

Fact Finder disse...

A política monetária ortodoxa só funciona enquanto houver credibilidade nas fiat currencies. Os anos do Bubble Blower à frente do FED tinham conseguido empurrar o período recessivo. Essa próxima recessão tem vários ingredientes não encontrados em nenhuma outra da história. Como diz Larry Williams...history repeats itself, not with the same precision.

Samuel Ramos disse...

Fact,

Eu só acho que tem algumas particularidades na comparação com o Japan Burst que deixam os americans numa situação (potencialmente) mais complicada.

Por ex:

- sociedade no Japão tinha grana guardada para o slump (taxa de poupança), os yankees até esses tempos estavam com taxa de poupança negativa. sem falar no alto grau de endividamento da população (crédito em relação ao pib está em 350%, algo assim, que por sinal é um nível parecido com o de 1929);

- as taxas de juros no Japão não estavam tão baixas qdo começou a azedar, e o BOJ teve margem para afrouxar. Os yankees estão a 2% agora, não tem muito mais o que cortar.

- o Japão não tinha a moeda que era tida como o padrão de reserva global;

- derivativos nos 25 maiores bancos americans: 179 trilhões, mais de 10x o pib deles. O sistema financeiro do Japão não pegou uma alavancagem dessas, até pq derivativos na época não eram tão utilizados.

Sds!

Fact Finder disse...

Sin duda, Samuel.
Diferentemente do Japão dos 90's, não vejo nenhum amortecedor eficiente desta vez. O papel da China está sendo superestimado. Boa parte das linhas de produção do G7 apenas foram exportadas. A Mattel, p. ex., praticamente só produz na China. Grande parte da riqueza existente no planeta é falsa, resultado de assets inflados a preços irreais. Como é possível que isso ocorra se o GDP real despencou nas últimas décadas? Vide a financeirização crescente da composição do SP381 (ex-SP500).
Os technicians ainda jogam mais lenha na fogueira ao não avistar nenhum bottom de ciclos conhecidos nas proximidades. Enfim...só quem está achando graça é a besta barbuda.

Samuel Ramos disse...

Acabei de lembrar outra diferença brutal entre o Japão dos 90 e os URSA atuais:

os japas tinham superávit comercial, os gringos déficit

tá cada vez mais evidente que os eua entraram na curva descendente do império

daqui prá diante, veremos coisas do arco da velha (já estamos, né)

falando nisso, além de uk, ursa, agora taiwan, australia e holando proibindo venda a descoberto

será que o braziu fica fora dessa?
hehe