DISCLAIMER


DISCLAIMER: 1. The risk of trading equities and/or derivatives can be substantial. 2. Any decision to purchase or sell as a result of the opinions expressed in this blog will be the full responsability of the person authorizing such transaction. 3. Past performance is not indicative of future results.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Bullish Consensus By Market Vane


Market Vane Corporation é uma conhecida empresa de Pasadena (CA) editora do Bullish Consensus, uma pesquisa de opinião inicada na década de 60. O resultado é obtido a partir de uma compilação de opiniões de consultores/analistas com foco nos mercados futuros de commodities.

Algo clama pela minha atenção na atual configuração do Bullish Consensus: o percentual de bullish advisers ainda está distante daqueles verificados nos bottoms de 1987 e 2002. A análise desse indicador, mais ampla, bate com minha impressão de que mesmo em timeframes menores ainda há uma complacência teimosa...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Some Thoughts Amid Year-End Doldrums...

Em um período em que nada de relevante acontecerá ocorreu-me fazer alguns comentários sobre generalidades:

1. Sempre quis compreender a razão da grande histeria que toma conta da mídia pindorâmica em períodos que antecedem reuniões do Copom. Isso até faz algum sentido em países com taxas de juros reais em níveis civilizados. Mas certamente esse não é o nosso caso. Mais irritante que isso é a mesma novela que segue após "mudanças" na Selic: entrevistam Fiesp, CUT, etc. E as ladainhas são as de sempre. Qualquer processo expancionista promovido pelo Copom não terá muito espaço se as perspectivas dos agentes econômicos yankees se concretizarem (vide postagens anteriores);

2. Esqueci-de comentar que um dos responsáveis pela queda dos yields dos Treasuries são os bancos yankees que compram os títulos com os próprios recursos do Tesouro em lugar de direcioná-los a operações de empréstimo. Mecanismo já exaustivamente manjado;

3. Quanto menos você compreender a reação dos investidores a eventos, menor será sua probabilidade de sucesso como technician. Vejam abaixo o número de buscas no Google Search pelo verbete "emerging markets" desde 2004. Após um pico (blowoff no ponto F) de busca em outubro/08, o "interesse" por EMs tem caído consistentemente e atingiu recentemente números mínimos verificados no track record dessa ferramenta. Bueno, tirem suas próprias conclusões.


quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Visits Of M. by F. F. "By Country"

Para quem tem curiosidade em saber a abrangência geográfica dos visitantes de um blog...aí acima vai uma composição dos países de origem das visitas ao Markets By Fact Finder, nos últimos 7 dias.

Learn How To Read The Markets


No dia 7 de dezembro fiz o comentário "Moment Is Deflationary but..." mostrando por meio da análise de charts (e não por meio de achismos) que a enorme quantia de dinheiro despejada no sistema já havia "incendiado" as expectativas de inflação para abril/2010 (vide TIPS para vencimento na mesma data).


Em um sistema de fiat money, em tese, os bancos centrais possuem a capacidade de criar inflação. Esse fato não é certo porque o que rege o comportamento da economia é o ser humano e não o inverso. A mídia nos passa a sensação de que a tal "economia" é um ente superior indecifrável, somente acessíveis a PhDs. Mutatis mutandis a atividade de investimento é - a meu ver - mais uma arte que ciência.

As confusões das pessoas se refletem nos vários mercados e ativos. Nesse momento percebo 2 inconsistências/incoerências relevantes:
  1. TED Spread cede seu passo abaixo dos 2%, enquanto o
    HY Spread entrou em trajetória parabólica (hat tip to Samuel). É bastante natural esperar que sigam mais ou menos a mesma direção. E em um momento isso ocorrerá. Quando? Nunca se sabe. Resumindo: o cenário menos crítico da taxa Libor não encontra eco (ainda) no sistema de financiamento de empresas com ratings de crédito que não sejam uma "Brastemp";


  2. Yields dos Treasuries com rendimentos reais negativos sugeririam cenário deflacionário. Mas o price action dos TIPs mostrou uma acentuada reversão. Afinal, inflação ou deflação? Há vários fatores de curto prazo que tendem a deprimir yields. E talvez o menor deles nesse momento seja uma expectativa de deflação. O chart acima mostra essa contradição entre a expectativa embutida nesses ativos, que se acentuou em dezembro.
Technical analysis é instrumento de acompanhamento. Assim como em um jogo de poker só convém fazer grandes apostas quando sua "mão" (seqüência de cartas) estiver forte. Se você não pensa assim, recomendaria ir a um cassino onde a diversão é maior e mais barata.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

DJIA In December: Another Correct Call

Bem, recentemente comentei que geralmente acerto para onde o mercado não vai. [Desculpem-me a provável falta de modéstia nessa afirmação :)] Muitos analistas cantavam como certo o year-end rally. Li uma postagem de um forense de viés fundamentalista dizendo: "...sobe em dezembro, janeiro e depois começa a cair". Wow! Quanta precisão!

Tenho alertado que um certo otimismo dos retail investors nesse leve bottom era um obstáculo ao rally, além das volatilidades altas no médio e longo prazos. Outra circunstância muito curiosa desse mercado tem sido os freqüentes technical fakeouts proporcionados por ele. Vejam, p. ex., o falso breakout recente da MM de 50 dias no daily chart.

O chart acima mostra as ichimoku clouds aplicadas sobre o Dow Industrials. O aspecto mais notório é a "nuvem" espessa - área de oferta - pairando logo acima dos candles. Ou seja, mais um obstáculo ao price action no curto prazo. Observem como a "nuvem" serviu de teto aos preços no mês de agosto. Minha avaliação anterior para o mês de dezembro não tinha levado em consideração a análise desse chart. Suspeito que o price action de janeiro não seja muito diferente do desse mês. A brand-new conundrum: O que fazer quando nem os meses com retornos mais positivos, historicamente falando, servem de desculpa para um bear rally?

[Cuidado com os comerciantes de bancas e corretoras que já estão cantando a volta do investidor estrangeiro em 2009.]

Unwinding Carry-Trade II

Pequeno followup do primeiro capítulo Unwinding The Carry-Trade - postado no dia 10/out - no qual arrisquei uma "previsão" do pair YEN-USD na faixa 115-120 em até 12 meses. Preços já atingiram mínimo do range citado nesse mês de dezembro (2,5 meses após postagem). O momentum de longo prazo é forte e operadores long mais alavancados no yen desde os 90 teriam razões para liqüidar ou suavizar suas posições talvez um pouco mais acima.
Um throwback na moeda japonesa poderia estimular apenas um dead-cat bounce no mercado de equities yankee.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Conflicts Of Interest et Alli

Tenho reiteradamente comentado sobre o chamado "conflito de interesse". Minha experiência diz que poucos realmente se preocupam com isso. No momento por que passam os mercados bursáteis estou preferindo o velho adágio "read the charts, forget the news". Para a incredulidade dos experts, os modelos econométricos têm se mostrado inúteis no cenário atual. Bom exemplo é aquele que associa desvalorizações no câmbio a repiques nos índices de inflação. Ou seja, uma interpretação feita em borra de café tem se mostrado tão (in)eficiente quanto uma consagrada por um modelo criado por um brainiac.

Na era do amplo deleveraging e crise de confiança no fiat system, a tendência é que conflitos de interesse entre profissionais de mercado e clientes aumentem. Não confudam opiniões contaminadas por esse conflito com aquelas apresentadas na Globo News ou no Jornal Nacional, por exemplo. Nesses veículos os profissionais (geralmente economistas e consultores) aparecem somente para justificar por que determinado preço de ativo subiu ou caiu. O público leigo é intrinsecamente muito sensível a avaliações de gente de ternos estilizados e gravatas italianas aprumadas. Só para exemplificar, o AfterMarket alcançou o recorde de negócios em 16/12. Wow! A marca anterior havia sido registrada em 20/maio, logo depois da concessão do investment grade (IG). O giro intenso nesse contexto do price action denota otimismo, esperança e não capitulação. A realidade tem sido cruel com os teóricos da macroeconomia. Por outro lado, a análise da reação da manada é atemporal. Reações do Homem de Neanderthal diferem pouco da dos investidores leigos.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

2008: A Tragedy In 10 Steps

Posso dizer que chegamos a um ano de "blogagem". Aos novos leitores preparei um resumé das postagens (avaliações de cenários) que considero importantes e se mostraram acertadas, menos de 15 dias depois de feitas. São mensagens alertando sutilmente para a alta probabilidade da ocorrência de pontos de inflexão no price action em 2008:

1. Você acreditou que os mercados iriam degringolar na metade de janeiro/08? Eu não.

2. No final de fevereiro ficou claro que o momento era de profit-taking e montagem de estratégias menos bullish principalmente para os swing traders. Confira o que aconteceu depois.

3. Você observou em março de 2008 que os mercados acionários estavam começando a puxar o freio-de-mão desde o ano passado ou estava acreditando naqueles 80 e poucos mil pontos da banca estrangeira para o final do ano?

4. O desfazimento do yen carry-trade - apontado por mim em abril - começava a mostrar a rápida percepção de piora nos fundamentos macroeconômicos em Wall St.

5. Você acreditou naquele "Conto do Vigário" chamado Investment Grade? E a partir de então os fundos de pensão yankees iriam entrar "pesado" em Pindorama? hehehe

6. Meu caro leitor, você é habitué do Info Monkey, cuja equipe gosta de entrevistar a créme-de-la-créme dos grafistas de Pindorama? Aposto que V.Sa. foi vítima da "realização saudável" aos 66k pontos do Ibroxespa, né? (14/05/08)

7. A tendência estupidamente parabólica no longo prazo e a extrema histeria que tomou conta do mercado de Crude Oil me deixou com a convicção de que um major blow-off era iminente. Analistas já falando em US$200/barril...Deu no que deu. (30/06/08)

8. No início de agosto achei engraçada a manada de grafistas que enxergavam divergências positivas a rodo e viam que viria um grande rally a partir dos 53k. Claramente mostravam uma visão míope para o momentum bearish. Resultado: o price action vazou a região e nunca mais olhou pra cima.

9. No meio de agosto já era nítido o padrão de "lower lows-lower highs" nos emerging markets (EMs), o que caracteriza um bear market. Mas a manada ainda estava anestesiada pelos anos infindáveis de alta (15/08/2008).

10. Nem a débaclê das commodities fez Diretores de companhias abertas, regiamente pagos, desembarcarem de posições vendidas (e até alavancadas) em dólar americano. Bom, por falta de aviso não foi...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

DJIA: Keep It Simple Stupid

O primeiro teste do price action na média móvel de 50 dias não foi lá muito alvissareiro. Para encontrar alguma base de argumentação bullish para o DJ Industrials espera-se ver uma superação convincente desse landmark. Na virada do mês chamava a atenção - sem muita eloqüência, é verdade - para o retorno histórico positivo no mês de dezembro. Bem...so far so good. Tudo de acordo com o esperado: Momentum baixista diminuindo. Apenas isso. Pra quem possui alguma expertise em TA, travas de baixas (credit spreads) na série de dezembro cozinhadas em banho-maria parecem interessantes.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

The Time Advantage


Às vezes fico pensando no que me atrai em mercados acionários. Mesmo com meu background em ciências exatas, anos de estudo e observação do price action sinto-me permanente desafiado pelas forças ocultas dos mercados. Nada disso funcionaria se não houvesse uma certa insatisfação inerente à minha personalidade. Se você chegou até aqui lendo isso, provavelmente carrega "genes semelhantes". :)

Quando conhecidos fazem aquela pergunta desagradável do tipo "Você acha que o Ibovespa sobe ou cai?", prefiro responder que pra onde vai eu não sei. Mas geralmente acerto para onde não vai no timeframe examinado. Para isso é suficiente que eu examine alguns charts (absolutos e indexados), sentiment indicators. Dados adicionais servem apenas para corroborar minha impressão inicial. Não preciso mais que isso. Uma vez um colega forense de longa data me falou..."Fact, o legal é que você não vira casaca nem quando todo o fórum discorda da sua opinião". Nunca esqueci...Melhor assim. Não gosto de ser carregado nos braços do povo. E quando a maioria pende para o meu lado, realmente aí começo a desconfiar de que a hora é de reavaliar o cenário.

Em momentos como o que vemos, o mais importante é não consumir o capital mental e, se possível, o financeiro. Percebo monthly charts das principais averages com níveis de volatilidade somente vistos em preços intraday. Uma diminuição a níveis razoáveis pode levar um tempo extenso (um ano ou mais). Para piorar ainda parece haver uma ansiosidade acima do normal por parte dos retail investors em WS, refletidos em compras agressivas de calls (opções de compra) quando qualquer rally tende a engrenar. Claro que o p/c ratio (equity only) não é algo definitivo. Mas dá uma certa idéia. Definitivamente esse não é um sentimento que predomina em fundos.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Moment Is Deflationary but...



...o futuro (ou a expectativa dele) parece ser meio diferente disso. Acima se vê o desempenho das Notas do Tesouro yankee indexadas à inflação com vencimento em abril de 2010 (clique aqui). Coincidência ou não, o valor negociado no mercado secundário disparou com o início da administração dos "elixires milagrosos" de Mr. Paulson ("Vinde a mim que vos salvo").

O segundo chart é também um followup da postagem anterior. Mostra a limitação teórica da política monetária atual. O valor semanal atualizado não mostrado é 0,36. Note-se que o indicador de referência é a inflação oficial (clique aqui), das várias estimativas e metodologias de cálculo de inflação a mais subavaliada. Com um pouco de bom senso, chega-se à conclusão de que a economia yankee esteja entrando em patamares de taxa real de juros negativa, o que congela o fluxo de dinheiro para assets ("cash is king")*. O momento encontra algum paralelo apenas no início da década de 60 em que taxas reais (oficiais, claro) de juros estiveram próximas a zero em períodos recessivos. Resta saber qual a influência real que Mr. Volcker terá na equipe do president-elect Obama...


* Essa nota é dedicada aos leitores que não compreendem as sutilezas: Nesse cenário mais fácil um tijolo subir que suas ações de Petrobrás e Vale.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Credit Expensive For Good?

Há uns meses - enquanto o TED Spread ainda estava acima dos 3% - deixei na área de comentários do TiB uma manifestação: a de que passada a fase mais aguda da retração do crédito, o aspecto mais importante seria saber em que patamar iria se estabilizar seu custo, e de que permanência prolongada desse indicador na faixa dos 2% seria asfixiante para as economias do G-7 e de tabela, para os demais países. Pode ser que me engane, mas acredito que seja esse o cenário mais provável para os próximos meses.

Isso torna-se mais preocupante se considerarmos que as taxas de juros nominais nas economias dos EUA e da Europa estão em "multi-year lows". Ou seja, a partir de determinado momento a influência da política monetária será nula. E o instrumento expancionista mais utilizado no pós-Guerra terá se esgotado. Em um ambiente deflacionário desse cash is king, já que a aquisição de assets tende a ser um investimento perdedor. Os preços delas são declinantes.

O chart acima mostra como uma queda abrupta da Libor - abaixo da área importante de 2,50% - não se traduziu em normalização do Ted Spread em patamares considerados normais. A explicação, claro, está no fato de que yields de curto prazo (Treasuries Notes) despencaram ainda mais.

Order Amid Chaos

Mesmo um price action aparentemente anárquico guarda alguma coerência nos diversos ativos. Percebe-se que no mês de agosto estabeleceu-se igualdade nos retornos do ETF Brazil e das major averages yankees (representados por seus proxies), enquanto emerging markets (EMs) já estavam com retorno negativo (vide elipse). Desde então o proxy de Pindorama em Wall Street foi o ativo que caiu mais. Permanece nessa condição até hoje e tem andado praticamente pari passu com o restante dos emergentes (EEM).

Esse tipo de acompanhamento é fácil e eficiente. Bull markets mostram (quase sempre) EMs com força relativa superior a mercados de economia mais madura. Nitidamente percebemos na imagem acima o contrário.

domingo, 30 de novembro de 2008

Bulls, Bears And Pigs

De todos os anos em que venho acompanhando os mercados financeiros nenhum deles foi tão recheado de razões para não acreditar em filosofias do tipo "buy-and-hold" como o de 2008. Em Wall Street todas as regras e legislações no mercado de capitais só valem se o price action for positivo. No sistema monetário de fiat money que sucedeu o gold-standard o maior ativo é a confiança (legal tender), duramente atingida por bailouts com dinheiro do contribuinte, manipulações grosseiras de normas operacionais, ocultação de dados, etc. A falência moral anda de mãos dadas com a financeira. Claro, a quase totalidade de eleitores (digo, investidores) só ganha se o preço dos ativos subirem.

Ao repertório de picaretagens a Securities and Exchange Comission (SEC) adicionou mais uma final do mês passado: a flexibilização da regra de marcação a mercado ("mark to market"). A justificativa oficial não revelada é que transparência só é bem-vinda em bull markets. Em mercados declinantes a performance das carteiras a valores de mercado - perda meramente contábil - pode trazer perdas reais para os detentores de títulos, especialmente bancos.


Em Pindorama a necessidade de rever normas operacionais não existe, mesmo porque as existentes não são obedecidas nem fiscalizadas. Aqui a crise de crédito não mostrou sua face aguda porque o sistema creditício é anão e o uso de derivativos é restrito. Outro dia vi uma entrevista de um representante da Febraban gabando-se da "solidez" dos bancos nacionais. A pouca alavancagem tem a ver com as taxas de juros reais obscenas e não com memórias dos tempos de inflação galopante. O mais preocupante do credit crunch atual não está no sistema bancário nacional e sim nos setores não-financeiros cujos profissionais mostram despreparo - ou seria esperteza escamoteada? - em instrumentos financeiros nem tão sofisticados. Conseguem transformar um suposto hedge em drink de cianeto para os acionistas. Mostrem-me uma empresa de capital aberto que auferiu resultados positivos em instrumentos financeiros relativamente simples (contratos de swap) e ganhe um pirulito. Os empréstimos de R$2bi da Caixa Econômica Federal e de
R$750M do Banco do Brasil à Petrobrás mostram como a parte sensível do credit crunch em Pindorama está nos setores de empresas não-financeiras.


Pra terminar, vos digo que não há nenhum paradigma visto nas últimas décadas que se compare com o que vemos atualmente. Os relatórios que eventualmente leio são reflexos de profundos conflitos de interesse entre instituições e clientes. A atuação desastrosa dos principais bancos centrais em tentar suavizar a queda está em vias de gerar uma estagnação econômica "multianual" à la Japan nos EUA e na Europa. Criaram um cenário idílico de que bastariam injeções gigantescas no meio monetário circulante para garantir a prosperidade eterna. Não é possível criar riqueza com printing presses. Se estou certo...Only future will tell.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

''Aracruz sabia das operações com derivativos'' - II

Update da postagem de ontem: Parece que minhas parcas conclusões sobre obviedades empresariais têm se mostrado corretas. Hoje pela manhã a Aracruz divulgou comunicado ao mercado, datado de 27/11, informando que parte dos conselheiros da empresa renunciou a seus cargos, coincidentemente logo depois da entrevista do ex-Diretor Financeiro.

O que se extrai de útil desse episódio? Se o leitor não compreende o mindset por trás das decisões de negócios, jamais entenderá por que muitos core businesses promissores não seguem adiante. Hoje em dia prefiro conversar com psicólogos a engenheiros.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

''Aracruz sabia das operações com derivativos''

Essas foram as palavras do ex-Diretor Financeiro da Aracruz se referindo à perda de US$2bi em derivativos de câmbio (vide post anterior análogo). Meus comentários a seguir serão basicamente feitos em cima dos fatos narrados em sua pequena entrevista publicada no Estadão dia 26 último. Portanto, recomendo a leitura antes de seguir adiante.

Isac Zagury afirma que as operações eram de conhecimento de acionistas e da Administração da empresa. Alguém duvida de que não esteja falando a verdade? É possível que contratos dessa magnitude não sejam de conhecimento de comitês e Diretores? Com um pouco de bom senso, é possível chegar a alguma conclusão.

Um segundo ponto - que me causou espécie - foi saber que os bancos limitam suas perdas nesses contratos de "sell target forward", mas não limitam o tamanho do nabo do cliente. Genial! Já examinei contratos de pessoa física de swaps de dólar em bancos de varejo e não encontrei limitações de nenhuma parte, à exceção da necessidade de depósito de garantias quando a perda do cliente atinge determinado percentual.

O terceiro ponto - e é esse que me interessa - é ver que até hoje sobrevive o fato de que a explosão do greenback foi imprevisível, obra do acaso ou de Satanás. Passada a avalanche, é bem provável que a única preocupação das partes atingidas seja acionar ou se defender em aventuras judiciais. Descobrir por que ocorreu o grande prejuízo é desnecessário. Logo, minha conclusão é de que - caso se embrenhem em novas operações com derivativos - terão novos prejuízos. Esse comentário serve também para as demais empresas que se aventurarem nesse tipos de contrato sem contar com expertise.

Os 30 anos do Sr. Zagury no mercado não lhe serviram para muita coisa porque faltou-lhe expertise específica sobre price action nos mercados de livre negociação. Simples. O conhecimento específico em análise quantitativa e técnica é eficiente no gerenciamento de riscos. De vital importância é evitar as perdas e não auferir ganhos magistrais, principalmente em uma empresa cuja atividade operacional principal não seja a financeira. Posições vendidas de dólar - na minha opinião - já deveriam ter sido evitadas no início de 2008 por conta dos níveis de volatilidade de longo prazo baixíssimos então. Posições alavancadas em conjunturas desse tipo devem ser evitadas ou suavizadas. Um ambiente menos agudo seria o de alta volatilidade - como o atual - no qual o price action se alterna em uma e outra direção. Na baixa volatilidade, se o operador alavancado erra a aposta, ele está morto. Neste cenário, a reversão só ocorrerá um bom tempo depois, geralmente em um ponto inimaginável, fora do consenso do mercado. Os modelos VaR (Value At Risk) das empresas não funcionaram porque seus parâmetros-chave, do tipo "receita de bolo", se basearam em uma amostragem insuficiente de dados. Em suma, por eles a chance de uma reversão como a que foi vista era quase zero. E claramente o risco era palpável, pois alertei que uma reversão dramática estava à espreita...Enfim, folks, charts never lie.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Following In The Smart Money's Footsteps


Seguir as pegadas dos pros é tudo que preciso fazer. 80% das notícias sobre mercado financeiro que recebo em minha caixa vão para o lixo após eu ler o título. 15% delas, que resistem ao primeiro filtro, são eliminadas depois de uma leitura dinâmica (relatório, p. ex.). Somente as 5% restantes merecem uma reflexão da minha parte. Assim procedo para evitar o information overload, algo que nos tolhe minutos preciosos que podem ser gastos em atividades mais interessantes. E por quê? Ora, tudo que o me interessa é seguir o smart money.

Acima está representado o price action do Dow Jones Industrials indexado ao SP Retail Index (índice mais amplo do varejo yankee) em período que se estende por boa parte do último bull market (ou qualquer coisa próxima disso). Observa-se que em ciclos de alta o setor varejista apresenta maior força relativa em relação ao DJIA (área azul). A esta seguiu-se uma fase de transição, embora nominalmente o price action ainda fosse de maneira clara favorável aos bulls. Não é recomendável zerar posições compradas nessa fase. Esses tipos de charts são pobres indicadores de timing. O início da fase de uptrend deveria ser o primeiro sinal de que um sinal de venda - de acordo com o trading system do operador - devia ter sido levado a sério. Nesta o setor de consumo se retrai relativamente ao índice das 30 blue chips dos DJ Industrials, refletindo comportamento defensivo do mercado. Notícias representam o passado. Por outro lado, charts never lie.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Money Flow To And From Big Caps in the U.S.


Chart acima mostra como o money flow se alterna entre big e small caps, representadas, respectivamente, pelo Dow Jones Industrials e Russell 2000. As elipses coloridas mostram os pontos de inflexão (um fundo e um topo) nominais no DJIA. A verde ressalta uma quase perfeita coincidência entre o fundo do último bear market em WS e o topo do gráfico indexado. A vermelha, por outro lado, reflete a meu ver uma grande confusão dos big players. Ao último topo nominal do DJIA seguiu-se um momento "inexplicável" de bullishness que seguiu até agosto desse ano.

O breakout recente - mostrado acima - alinha o smart money ao price action dos mercados. E confirma, finalmente, o bear market. Sob um ponto de vista meramente relativo, estamos diante de um baby bear, com um vida inteira pela frente. hehe

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

2002 Lows: Bye-bye?

Hoje o SP381* fechou abaixo das mínimas vistas ao final do último bear market. Há uns dois meses esperava que um dead-cat bounce emergisse a partir desses níveis. Cheguei a comentar o fato no Trading In Blog. Pelo jeito muitos players esperavam o mesmo. E pagaram pra ver. Bem, eu não paguei. O price action de hoje nos mercados yankees - conjugado com o aumento do volume - mostra que muitos bulls crédulos foram forçados a encerrar suas posições com perdas.

Preços não têm respeitado suportes teoricamente fortes. Passam como se não existissem (!). Claro sinal de deleverage, no qual as posições devem ser desfeitas a qualquer custo. O mercado de bens de consumo de "supérfluos" (por assim dizer) tem sido um dos setores leading no selloff, um dos sinais de que o fundo do poço ainda é invisível. A prioridade - como disse - é preservar o capital, principalmente o mental. Infelizmente percebo que essa é uma idéia demodé. Vejo investidores de primeira viagem bastante agressivos no atual estágio. Oh boy...

O que mais tem me impressionado é a quantidade de analistas predizendo que o fundo vai ocorrer no ano que vem...no primeiro semestre, no segundo, ou sei lá quando. Essa convicção - que no fundo denota esperança - me deixa cada vez mais no campo bearish.

* Várias empresas do atual SP500 já não possuem market cap (uns US$5bi, se não me engano) para fazer parte daquele índice. E esse número de párias aumenta a cada semana...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

SWAPS: Gambling In Corporate Life

Empresa de energia elétrica comunicou ao mercado em meados de agosto último que havia fechado uma operação de swap com uma instituição financeira. Mais uma! Dessa vez não se negociaram contratos do tipo target forward, operação que trucidou o resultado anual de algumas empresas de capital aberto.

O Conselho de Administração de dita empresa inovou (pra pior, claro). Vide trecho do fato relevante acima. Resumo da ópera: Os contratos de 60 dias só gerarão retornos positivos se houver valorização de suas ações ordinárias. Já a banca só perderá se houver valorização das ONs além de determinado ponto. Tal breakeven só pode ser calculado se forem fornecidos a taxa de performance mencionada e o percentual do CDI. Até onde verifiquei junto a um amigo, um dos maiores vendedores do papel era...Quem? Quem? A mesma instituição financeira que figura no outro pólo do contrato! Da data do comunicado pra cá as ONs já caíram mais de 25%. Ouch!
Bueno, os contratos estão limitados a R$50M, o que não deve ser suficiente para quebrar a empresa. Nas palavras do Sr. Diretor de Relação com Investidores:
"Este investimento financeiro (grifo meu) reflete a percepção da administração da XXXX quanto ao potencial de valorização das suas próprias ações."
You kidding me? Agora gambling é investimento financeiro? Gostaria de saber onde pescam esses gênios das finanças corporativas.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

II Survey Is Out Of Service



Dando continuidade ao cenário delineado do tipo "Odd Times, Odd analysis" constatei que a decana pesquisa quinzenal da Investors Intelligence (II) mostrando os percentuais de investidores altistas (bulls) vs. baixistas (bears) está se constituindo em um legítimo coincident indicator em 2008.


Contrarian investors de longa data sabem que a II Survey é um dos mais antigos "indicadores contrários" disponíveis. Uma das maneiras de se expor essa informação é plotá-la como foi feito acima (%bulls/bears). Elipses vermelhas ressaltam os últimos 3 fundos descendentes observáveis no bull/ bear ratio. As setas brancas no chart do SP500 registram os momentos aproximados no price action em que esses "fundos de pessimismo" se verificaram. Claramente observa-se que cada fundo mais baixo no SPX correspondeu a pessimismo crescente nos investidores, característica de um "indicador coincidente". Uh-oh. Odd times....

O recado é simples: quem continuar analisando os mercados da mesma maneira que tem feito nos últimos anos poderá ter surpresas desagradáveis no bottom-line.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Nobody Really Hitting The Panic Button...



Desculpem-me pelo lapso nos comentários, folks. Sometimes silence is gold. :)


Tenho comentado que na maior parte das vezes os mercados são dúbios. Mesmos technicians mais experientes em poucos momentos conseguirão ver indicadores (volume e breadth, p. ex.) e price action atuando em harmonia. Equity markets na minha opinião estão em território não mapeado com base na história das últimas décadas.

Não se percebe extremo de pavor nos players. Querem saber? Também não tenho explicação plausível para esse circunstância. Tomemos, a título de exemplo, dois tradicionais contrarian indicators similares: equity options [$CPCE] e total (equity+index) options [$CPC] obttidos na CBOE (Chicago Board Options Exchange). Diz que o put-call ratio obtido a partir das opções de ações (ticker $CPCE) reflete melhor o "dumb money", pois este é resultado das ações de small traders e investidores individuais. Os pros exploram mais as opções de índice (ticker $CPC). Os mercados aproximam-se dos lows de outubro último. Os topos - ressaltados pelas linhas amarelas - indicam que os retail investors estão mais exaltados com o price action, mas nada que caracterize extremo de pânico. Mercado difícil de ser operado...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Need A Reason To Stay On The Sidelines?

Em bom português, precisa de uma razão pra ficar de fora? Então aqui vai uma => clique aqui. Essa é a resposta pronta que tenho às pessoas que me perguntam se já não é hora de "investir". Pensem que o custo de oportunidade do dinheiro em Pindorama é altíssimo: a Selic!

Industrials: Nothing New Under The Sun

Há ocasiões em que vale um comentário mais extenso. Não me parece ser o caso. Para o fechamento da barra semanal resta apenas a trading session de amanhã. A perspectiva de alteração no último candle no weekly é, portanto, insignificante. E as máximas da semana sequer alcançaram a região delimitada na postagem anterior.

Followup: Apesar do volume no daily chart estar ainda abaixo da média (não mostrado), houve uma distribuição em relação ao dia de ontem. Isso, claro, nunca é um bom sinal.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Markets Still Playing Defense

Make no mistake. Apesar do rebuliço de setembro e outubro, o smart money ainda mostra-se coerente. A linha branca acima mostra o ETF Brazil (proxy do Ibov em USD). Até maio apresentou força relativa muito boa em relação aos outros mercados (vide proxies do NDX100 e do DJIA, p.ex.), incluindo o ETF Emerging Markets (EEM). Desde então entrou em rápido colapso, refletindo fielmente o selloff das commodities. Apesar da quicada corrente, continua com as maiores perdas no ano (year-to-date) e ainda é lagging. Tal fato sugere comportamento ainda nitidamente defensivo.

Pequeno followup: O chart acima é rico em informações. Uma delas é a que mostra perdas menores em 2008 para o nicho mais seguro dos mercados de risco: o das 30 empresas do DJIA (flight-to-quality). As perdas dos demais setores foram proporcionais ao seu risco, seguindo o padrão value-> growth, como se deveria esperar. Esse dado talvez choque alguns leitores que acham ser investimentos em blue chips de Pindorama um porto seguro. Questão de ponto de vista...o smart money acha que não é bem assim. Charts never lie.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Quick Look At DJIA

O que acontece quando o pior cenário possível é precificado em curto período de tempo? O ímpeto dos vendedores remanescentes não consegue mais depreciar o mercado analisado. Em sentido estrito, portanto, não é correto dizer que "não há mais vendedores" ou "há mais compradores que vendedores". Esse fenômeno é conhecido como exaustão (exhaustion). Tomando a história do mercado pós-Crash de 29 em Wall St., pode-se esperar alguma recuperação no curto prazo. A sazonalidade também favorece algum upside. Mesmo os mais agressivos nessas horas não se aventuram, pois ainda estão traumatizados pelo selloff brutal. Eventuais notícias ruins acerca de indicadores econômicos não conseguirão derrubar os preços. Toda a mídia ignara e os espertalhões canalizarão seus esforços para dizer que a situação não é tão ruim quanto parece e o pior já passou. Guess what?! Quando a maioria começar a se sentir confiante, será o momento em que o risco já não será desprezível.

Voltando à vaca fria...acredito que o provável rally no DJIA não consiga superar as áreas de oferta imediatamente acima (linhas tracejadas em laranja). Cabe ao technician examinar o cenário maior em que está inserido o price action e traçar estratégias compatíveis com o momento. Adotar sempre o mesmo setup gráfico indistintamente da conjuntura é meio caminho para a falência.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Close Look On TED Spread On The Hourly - II


Como esperado, o TED Spread rompeu o range em que se encontrava e tomou a pior direção para o mercado em Wall Street. Possíveis targets para esse movimento estão assinalados acima.

Outro dia li um comentário de um analista yankee afirmando que o mercado havia exagerado na resposta ao "aperto" de crédito. Será!? Desde quando players respondem de maneira razoável a sentimentos extremos? A situação atual do mercado de crédito não encontra paralelos na história recente. Não se trata de uma bolha setorial (vide bolha da Nasdaq), de default de um país (vide Argentina, Rússia, etc.) ou de um colapso de um mega hedge fund (vide LTCM). Quanto valerão os fluxos de caixa descontados se a empresa pela qual você se apaixonou - isso é muito comum! - passar a contar com um prêmio contínuo no custo do capital (e ainda desconhecido)?

Close Look On TED Spread On The Hourly


Pois bem...Tive a idéia de mostrar o TED Spread mencionado na última postagem em um timeframe bem menor. Pode parecer que uma entidade etérea como spreads entre taxas de juros não obedeça exatamente aos preceitos da technical analysis. Alguns devem estar com essa dúvida. A elipse mostra o desvio-padrão de 10 períodos em níveis bastante deprimidos. Conclusão óbvia é que esse indicador ensaiará brevemente um rally ou um selloff com repercussões interessantes no chart diário. Isso se dará com uma diminuição da taxa Libor ou aumento do yields do Treasuries de 3 meses (ou ambos). Observe-se que por razões que desconheço a plotagem acima é feita pela diferença do yield de 3 meses menos a Libor. Daí os números negativos.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

The TED Spread Evolution



O TED Spread andava meio esquecido. Ressurgiu em grande estilo esse ano na lista de indicadores mais acompanhados. A faixa de normalidade histórica pode ser vista na região delimitada pelas linhas rosas (faixa 10 a 50 basis points). Um aumento anormal da aversão ao risco de crédito - linha verde - coincidiu com o topo dos US markets (aprox. em julho/07). Na seqüência vieram os topos dos emerging markets (EMs). A fase mais crítica dos mercados de acionários foi vista quando o spread explodiu, rompendo a linha verde inclinada. A manutenção insistente dos níveis atuais é surpreendente. Segundo a Wikipedia, mantém-se a apenas poucos basis points do então recorde obtido durante o Crash de 87 (300 bps). Nenhum rally em equities terá fôlego sem uma retomada do funcionamento normal dos mercados de crédito. Quem estiver familiarizado com os princípios da análise técnica sabe que o spread não terá facilidade em retomar à faixa normal de valores históricos.

When More Is Less

Nos mercados financeiros há uma coisa que sempre permeia os comentários de analistas, corretores, consultores, CEOs de empresas et alli. chamada conflito de interesse. Este surge quando a melhor orientação dada aos clientes vai contra os interesses da firma e, por conseguinte, contra o "bolso" do profissional. Em outras oportunidades sugeri maneiras fáceis de inibi-la. Difícil é implementar. Mas, claro, não há interesse posto que o mercado financeiro é o habitat natural dos maiores e mais classudos estelionatários do planeta (vide Wall Street).

O investidor de Pindorama pode ter uma exata noção do que falo ao assistir às entrevistas veiculadas por um conhecido canal de finanças, disponível em rede de TV por assinatura. A profusão de informações sem sentido e falaciosas é absurda. Em um dia um fato específico responde por altas. Nos dia seguinte, por baixas. E aqui ainda criticamos o finado Mad Money do Jim Cramer?! Jim falava abertamente "compre" ou "venda" aos traders, denotando o risco inerente das operações. Aqui os entrevistados abusam de mensagens subliminares cumprindo fielmente o roteiro prescrito pelos empregadores. "No longo prazo qualquer setor está muito barato." E daí? Até hoje nem eu nem Luiz Fernando Veríssimo sabemos onde ele fica. Hoje aprende-se mais sobre mercado bursátil na novela das 8 que lendo esse monte de lixo du jour travestido de notícia.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Mr. Greenspan Lost The War

[Antes de continuar convém rememorar a postagem Kondratieff On Elm Street]. Passou despercebida a frase do ex-Chairman do Federal Reserve publicada na edição de 24/10 de O GLOBO (cliquem na imagem para ampliá-la). Conta a lenda que um analista canadense, reconhecidamente o maior especialista em K-Waves, em conversa informal com Mr. Greenspan na década de 60 escutou dele: "Se for o Presidente do FED sei que tenho condições de derrotar o inverno [de Kondratieff]." Tomada isoladamente, fora de um contexto, a frase publicada na edição do jornal não faz sentido e soa sobrenatural. Para os entusiastas de teorias macroeconômicas heterodoxas faz todo o sentido: Mr. Greenspan acusou a derrota.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Comparison Between Bear Markets


O price action em vários mercados apresenta variações que já não encontram paralelo no história recente. Isso mostra um ajuste tão violento que prefiro chamá-las "tentativas de repricificação", resultante de brutal desalavancagem. O downside momentum desse bear market em Wall St. é aprox. duas vezes mais potente que o anterior (período 2000-02) se considerarmos igual distância em pontos dos topos ao fundo. Diminuição de momentum é uma das condições necessárias (mas não suficientes) para reversões. Em termos estatísticos 80% das reversões apresentam divergências.


Na minha visão contrarian tenho me sentido cada vez mais bearish apesar de muitos acharem que o pior já passou. Reforço minha posição ao ver ainda uma impressionante complacência baseada em análises de dados recentes. Vi uma, p. ex., argumentando que os bear markets acabam em outubro (vide Crash/87 e Bolha da Nasdaq) e 'Wall St. estaria pronta para o year-end rally. Padrões assimilados pela manada não costumam se repetir.

No mercado de Pindorama os bons balanços trimestrais ainda persistem. Note-se que decorrem de atividades operacionais anteriores ao credit freeze. Persiste a péssima mania deseducativa da mídia em associar price action ao momento econômico em tempo real.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Value At Risk vs. Black Swans

Uma conhecida empresa produtora de celulose carrega uma posição em derivativos cambiais da ordem de US$6bi, conforme noticia um portal de uma conhecida publicação de negócios. Diante desse cenário, o resultado, na melhor das hipóteses, será um pedido de concordata. Mesmo com o alongamento do prazo de pagamento dos passivos gerados pelos contratos, o fardo é muito alto para a geração de caixa da empresa.

Esse blog não é portal de notícias. Interessa-me mais perquirir a respeito das origens de um desastre e quem sabe outras empresas não continuem cometendo as mesmas tolices. Nos cursos de MBA de Dona Marocas ensina-se aquele tradicional modelo/sistema de gerenciamento de risco: Value At Risk (VaR). Fornece ao gestor a probabilidade de ocorrência de determinado evento (perdas, no caso) por um determinado período. Claro que a quantidade de dados passados (amostragem) é fundamental. O modelo conhecido exclui mercados anormais e trading (leia-se, traders atuando contra o modelo). Ora, não é o que estamos presenciando desde julho? Nassin Taleb, autor de Fooled By Randomness e de The Black Swan, é o crítico mais famoso do modelo. Classifica-o de charlatanismo, pois eventos raros (Black Swans) não podem ter sua probabilidade estimada.

Sobre o assunto prefiro ficar no meio-termo, junto com Aristóteles. Um amigo - diante das minhas fundamentações feitas nas postagens - alcunhou o Credit Crunch de Gray Swan, definição criativa com a qual concordo plenamente. Fosse um legítimo Cisne Negro jamais poderia eu ter apontado a iminência de reversões claras em alguns mercados, antes que se tornassem óbvias para todos. O mais impressionante é que empresas de capital aberto com faturamentos anuais na casa de milhões de reais não possuíam assessoria financeira ou pessoal especializado com qualificação suficiente que mostrasse a precariedade de seus sistemas de gerenciamento de risco para o momento.

Os charts de equities que vejo hoje em dia fazem lembrar os charts históricos de commodities agrícolas (soja, algodão, milho, etc.), tipicamente exibidores de blow-offs dramáticos. Alguns preços de commodities não voltaram nem próximos a seus topos históricos feitos há mais de 30 anos (soja, p. ex.) Minha conclusão é óbvia. A julgar do price action incomum, sou levado a crer que o processo de deleveraging ("desalavancagem") é um dos fatores, senão o principal, da débâcle atual dos mercados acionários e levará preços a patamares inimagináveis. Para terminar: preços só sobem ou caem. Quem sente algo é você.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

USD Index: Mother Of All Bear Traps

Em um mercado altamente alavancado como o Forex, esperem reversões dramáticas. Apesar dos bailouts recentes pressionando sobremaneira a dívida pública e colocando mais pressão no greenback no longo prazo, continua a se apreciar rapidamente. Não racionalize o mercado. Trade what you see not what you expect. No curto, viu-se uma potente reversão chocando players que estavam short no USD.

Lendo o que havia escrito acho que deveria fazer uma complementação. Vejo experts (respeitáveis por sinal) dizerem que esse rally não tem vida longa justamente pelo endividamento yankee cada vez mais pesado. E alguns estimam o teto desse rally em moving averages, bands, etc. Contudo, meus caros, razoabilidade é conceito desconhecido pelo mercado. Quem me lê sabe que não faço previsões. Aponto apenas pontos de inflexão (turning points) quando tenho evidências para tal. Dado o momentum forte é baixa a chance de que o bacalhau da Ceia de Natal fique mais barato que isso aí. :)

History Repeats Itself (With A Caveat)

Uma das expressões mais mal compreendidas nos mercados é a famosa "A História se Repete". Se tomada em sentido estrito é uma falácia. Prefiro dizer que a reação da manada ao price action é a mesma e sempre será. Mas a simples repetição de fatos não ocorre.

Pra não ir muito longe recordo-me dos setores mais resilientes no Ibovespa durante o estouro da bolha da Nasdaq. Papéis do setor de celulose nos anos de 2000-2001 andavam praticamente na direção inversa a dos demais. Enquanto alguns setores foram massacrados, o de celulose forneceu os ganhos bem altos na época (mormente, papéis de Aracruz e Votorantim). Desde então, problemas crônicos assolaram o mercado dessa commodity. E aliado a uma infeliz conjuntura, com USD em um major bear market, ambos papéis entraram no ostracismo.

Conforme comentei anteriormente...comparar o bear market de 2000-2002 com o atual é inaceitável, sob qualquer aspecto. O price action daquela época, p. ex., nem de perto lembra o atual, que não fornece nenhum follow-thru ("continuação") de rallies até o momento nem em ambiente de extrema sobrevenda. No período citado acima era possível - com alguma expertise - aproveitar rallies a partir de regiões oversold que duravam dois, três dias. Às vezes, mais. Operações eficientes naquela época se mostram pouco proveitosas nesse momento. Mais um motivo para o aprimoramento constante, não? Uma coisa não mudou, no entanto. A estupefação diante do price action é a mesma, já que os mesmos players - trazendo à tona as últimas lembranças no arquivo mental - percebem um ambiente novamente desconhecido. E as lições aprendidas nesse bear market dificilmente serão de proveito em um próximo.

A única lição a ser aprendida em qualquer bear market é uma: play defense. Nesses períodos a prioridade é só uma: preservar o capital.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Flintstones vs. Jetsons - II

Antes de prosseguir a leitura convém entender o contexto da postagem anterior: Flintstones vs. Jetsons.

Pois bem...examinando os technicals poderia haver uma operação bem mais segura que simplesmente entrar em posições compradas em Petr PN, p. ex., nesse instante. A operação chama-se straddle, que consiste na compra de uma call (opç. compra) e uma put (opç. venda) com o mesmo preço de exercício (strike) e vencimento. Dentro de pouco tempo o mercado irá andar em uma direção. O operador não precisa adivinhar qual, já que ganhará em qualquer situação. A posição perdedora em uma das pontas será amplamente compensada pela vencedora na outra. A operação seria perdedora apenas se os preços do ativo-base (underlying) não se movimentassem durante o timeframe pretendido. Hipótese na qual ambas (call e put) perderiam prêmio, por causa da diminuição da volatilidade implícita e/ou da ação do theta (efeito do tempo). Claro que em Pindorama essa operação é uma ficção, posto que opções de venda não possuem liqüidez.
Bem...e la nave va.

sábado, 18 de outubro de 2008

BDI Hitting Main Street!


Essa postagem é um followup de "Vale CEO Or Texas Hold'em Player?" A notícia acima recém-divulgada em uma newsletter semanal é de particular interesse para os leitores que acreditam ser o price action uma aberração da realidade, manipulação de big shots perversos, resultado da influência de jogadores compulsivos ou idiossincrasias do gênero. Daí, só por acaso, refletirão a economia real um tempo depois.


Por isso, leitura de notícias é um hábito que em muito contribuirá para vosso desempenho em rodas de boteco. Mas não acredito que seja de muita serventia nos mercados de risco. De que adianta ser informado do preço dos fretes de graneleiros a essa altura quando já estão na bacia das almas?

Sobre o mesmo assunto vale a pena ler também Crash no Mercado de Ações? Você Não Viu Isso!

OBS: A título de curiosidade...navios chamados "capesize" são originalmente aqueles com calados grandes demais para atravessarem o Canal de Suez. Daí serem obrigados a navegar pelos cabos ("capes").

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Another Typical Week Of Expiration

*Update do fechamento de 17/10: Quem diante da volatilidade extrema dos últimos dias arriscaria dizer o que eu disse ontem (em amarelo)? Senão vejamos: no fechamento => DJIA -1,41%, SPX - 0,62%, NASDAQ -0,37%, após grandes ranges de preços durante o dia. Quem tem a probabilidade de seu lado assume uma posição e sabe por quê. Quem não sabe perde R$2bi, R$760mi, R$350mi em derivativos de câmbio, culpa o Black Swan e empurra a conta pros acionistas.

Recentemente vi um comentário de um leitor em um blog reclamando da manipulação dos preços em semanas de vencimento. As pessoas são induzidas a tentar entender por que preços sobem ou descem. Para tudo deve haver uma explicação. Fundamentalistas ortodoxos são os maiores fãs de notícias. Estas tendem a dar aquele verniz de racionalidade de que tanto gostam.

Semanas de vencimento são atípicas porque nos dias que antecedem a expiração de contratos o mecanismo compensador do mercado torna-se mais potente. Este busca restabelecer o equilíbrio do conjunto das apostas de modo que o preço de exercício do underlying seja aquele que frustre a maior parte dos players. Outro dia fiz uma comparação com um sistema termodinâmico que sempre procura o estado de maior entropia.

Por isso a volatilidade da semana em curso em Wall St. foi típica. Nos movimentos de vai-e-vem a ação dos próprios players tenta encontrar o ponto de equilíbrio, geralmente a faixa de preços onde existe a maior concentração de contratos em aberto de puts (opções de venda) e calls (opções de compra). Fantástico mecanismo democratizador de ganhos e perdas. Nessa mesma linha de argumentação ficaria surpreso se as principais médias yankees fechassem com oscilações grandes amanhã.* O resultado frustrará a maior parte das sardinhas que se acotovelaram no aftermarket, considerando a última hora bullish do pregão de ontem (quinta-feira) e um hammer no diário como um sinal forte de compra.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Risk-Aversion Chart


O chart acima mostra o proxy do SP500 indexado a um fundo de Treasuries com vencimento acima de 20 anos. Uma tendência de alta se traduz na idéia de que o mercado está propenso ao risco, privilegiando posições compradas em mercados de renda variável. Digno de nota é o vazamento da uptrend roxa no segundo semestre do ano passado. O topo do chart (elipse amarela) ocorreu em julho, época em que apontei em um post o início da "underperformance" das ações de segunda linha na Broxespa, claro sinal bearish. Nessa época o assunto subprime ainda não estava na moda por aqui. Como prego reiteradamente, mercados quase sempre dão sinais antecedentes. De relevante recentemente apenas o breakdown severo de nível crítico de oferta. Acredito que o reparo desse estrago - que pode piorar, claro - já esteja na escala de anos.


* Nota: Uma queda hoje de mais de 10% no Ibov depois de uma segunda com forte rally não deveria ser algo inesperado para quem acompanha o blog. A second wave of sellers on the move!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Whole Lotta Resistances in DJIA

Charts valem mais que mil palavras, senhores. O Crash das duas últimas semanas fez o price action romper regiões de forte oferta no DJIA. Esperem que qualquer pullback estacione em uma das áreas imediatas acima.

* Disclaimer: Como sempre lembro que weekly charts devem ser analisados com mais consistência após o fechamento da última barra (leia-se, após o fechamentos às sextas-feiras).

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Haste Makes Waste?

A nota acima retirada do blog da Míriam Leitão me deixou confuso. A primeira frase simplesmente não faz sentido. O gerente de risco da Sadia - se alertou para o alto risco da operação - deve ter reconhecido que existia chance grande do USD subir, certo? Infelizmente os jornalistas da era da Internet estão mais empenhados em produzir quantidade de informação que qualidade, revisá-la ou torná-la inteligível. Por sinal o primeiro parágrafo da postagem é um primor. Só deve fazer sentido para a própria Míriam.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A "V"- Type Bottom In A Bear Market?!

Essa é a pergunta cuja resposta tenho curiosidade de saber. No primeiro semestre comentei sobre a ocorrência freqüente (rara) de reversões em "V" durante todo o bull market dos EMs. Não é possível saber que estamos diante de uma antes do pullback estar em estágio avançado. Vê-las em um bear market ainda jovem seria uma raridade maior ainda. Não posso também deixar de comentar também topos recentes em "V" em vários ativos (Crude Oil, p.ex.), sinal de mercados fracos.

Uma informação que talvez não seja de conhecimento do Professor Schiller, economista conceituado e bottom-fisher nas horas vagas: a semana é de vencimento. Logo, convém não confundir algum short squeeze com pressão compradora. A essa altura, resta saber como está o ímpeto da segunda leva de bears. A probabilidade de que surjam cresce de maneira exponencial à medida que o price action se aproxima de importantes regiões de oferta, rompidas brutalmente semana passada. Quase certo que parte daqueles ainda com a batata quente na mão irá querer repassá-la.

sábado, 11 de outubro de 2008

Penny Wise And Pound Foolish

Essa expressão tem permanecido na minha cabeça depois do débâcle nos balanços trimestrais de Sadia, Aracruz, Votorantim et alli. Diz respeito às pessoas que são extremamente escrupulosas para ganhar ou economizar pequenas quantias e desastradas quando quantias grandes estão em jogo.

A confusão me abateu ao deduzir como a administração de empresas tão competentes em seus core businesses possam ser tão mal assessoradas em se tratando de gerenciamento de suas disponibilidades financeiras e/ou protegendo ("hedging") suas margens operacionais. Recentemente o portal de uma conhecida publicação mensal divulgou a estória fantástica de como a empresa DASA (Diagnósticos da América S/A) se livrou de prejuízos milionários em operação de derivativos de moeda. Isso porque tinham "assessoria" de grandes (ex-)bancos de investimento - os mesmos que esse ano enriqueceram ainda mais seus CEOs e quebraram seus cotistas e minoritários nos EUA.

Existem vários mitos que ainda sobrevivem no mundo dos investimentos, principalmente na mídia. Ocorreram-me dois. Um deles é acreditar que as pessoas mais aptas a analisarem mercados de ações (equities), de moedas, de commodities, etc. são os economistas. O mainstream nunca vos falou o que estava para acontecer ano passado? Economistas ortodoxos analisam obviedades depois que se apresentam. Basta ver o Jornal Nacional. Outro mito é que altos executivos de banco - muitos acompanhados por acrônimos fascinantes (MBA, CFA, PhD, etc.) - estarão vendendo serviços bancários mais úteis aos seus clientes que às instituições que dirigem. Como é que high-ranking execs circundado por dezenas de profissionais gabaritados não conseguem avaliar o risco de determinadas operações?

Um amigo ao ler o artigo sobre o episódio da DASA me escreveu um email elogiando o staff da empresa por ter reconhecido o alto risco. Really?! Em uma operação envolvendo eventos probabilísticos o risco pode ser definido como o desembolso/lucro a ser feito/embolsado ponderado pela probabilidade de determinado evento ocorrer. A reportagem menciona que a preocupação imediata tinha sido um eventual alto desembolso. De que adianta saber do desembolso se não tivermos a outra variável em mãos? Não me peçam para apostar mais que uma merreca quando a probabilidade estiver a meu desfavor. Empresas preocupam-se demais com seu core business e deixam - quando precisam de orientação - suas finanças em mãos suspeitas porque afinal é "assim que todo mundo faz. E esses negócios são uma caixinha de surpresas." Bullshit! Quem me acompanha sabe que deixei subentendido o risco extremo de se manter posições compradas em commodities, no final de junho, e vendidas em USD no início de agosto .

Para se avaliar a probabilidade de determinado evento ocorrer nos mercados de livre negociação é necessário recorrer a profissionais que estudam o price action por meio de metodologias consistentes e não a economistas ou bancos (os comerciantes). Mercados de livre negociação são o melhor leading indicator da economia. Ou alguém se esqueceu de que os major markets yankees começaram a cair dos seus 52-wk highs a partir ano passado? Afinal de contas, charts never lie

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Débâcle In Point & Figure Charting

Os chamados gráficos de ponto & figura (PF) eram bastante utilizados, principalmente pela facilidade de plotagem. Com o desenvolvimento de sistemas informatizados na década de 50 foram caindo em desuso. A sua grande virtude é eliminar o fator "tempo" das plotagens. Só há marcação se o ativo em estudo variar acima de um intervalo de preço definido pelo technician. Não vou anexar charts com novos conceitos, provavelmente não dominado por muitos leitores. Não teria sentido. Disso tudo pra dizer o seguinte, folks: os targets de queda definidos, segundo padrões típicos de P&F charts, são desanimadores para quem espera entrar em posições compradas com vistas a prazos mais longos (com risco reduzido). Investimentos envolvem decisões pessoais. Mas mantenham essa informação no bolso de vocês.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Cash Is King


A notícia acima é fresquinha. Diante da anarquia que tomou conta da precificação dos assets mundo afora, a STN sensatamente suspendeu a negociação de títulos. Não se sabe quando será retomada. A universalmente conhecida Lei de Murphy preconiza que os investidores do Tesouro (In)Direto poderão ter problemas em converter suas aplicações em cash, quando mais quiserem fazê-lo.


Anteontem vi uma entrevista do estrategista para a América Latina do Barclays Capital. Usou a expressão "Liqüidez não tem preço", o que dá no mesmo. Daí talvez agora faça sentido - pra quem gosta de encontrar racionalidade em tudo - a fome por dólares, que acreditem ou não, ainda é referência de liqüidez. Ontem e hoje estamos vendo confirmação de forte breakout no yen, confirmando um desfazimento consistente do carry-trade com o USD. Estejam preparados para ver o pair yen-usd em valores não vistos nos últimos 20 anos em algumas semanas. Essa análise merece um post à parte. Stay tuned. Charts never lie.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

What You Should Expect...

Conforme comentei em outras oportunidades, o processo decisório por meio de charts analysis não é uma atividade preto-no-branco. Na maior parte do tempo, em qualquer timeframe examinado, chart são ambíguos. Então, em lugar de algo "preto" ou "branco" esperem muitos "tons de cinza". E o que fazer quando os technicals estiverem alinhados? Nessas poucas vezes, amigo. Não pense duas vezes. Pule com os dois pés dentro do barco. Lembro a última vez em que isso ocorreu e não pude participar da festa...numa tarde opções ATM de Petrobras PN subiram mais de 100%. Não participar de um rally previsível é doloroso.

Em processos de reversão devemos esperar uma redução progressiva da volatilidade aliado a um price action benigno. Ocorre que aquela - apesar dos níveis estratosféricos - não se reduz. Leigos têm opinião contrária. Imaginam que dias de abertura forte nos mercados - depois de circuit breakers* acionados no dia anterior - são sinais de compra, quando na verdade são excelentes oportunidades de venda. Bottoms são fenômenos extremamente complexos porque envolve um "vai-e-vem" intenso (ebb-and-flow) na psicologia da massa.

A débâcle atual dos mercados - se avaliada pelos níveis de volatilidade - já é bem mais potente que o estouro da Bolha Dot Com na Nasdaq. Se imaginarmos que atingimos esse estágio em uma leg down apenas percebe-se que o potencial destrutivo do bear market que vemos é imenso**. Na época havia a percepção de uma bolha setorizada, hoje os mercados parecem ter perdido noção de precificação. Os preços correntes dos assets pelo mundo embutem uma combinação cancerígena de alavancagem e excesso de Ms (meios de pagamento), resultante de uma política monetária permissiva dos bancos centrais.

* A propósito, de que adianta circuit breaker se os negócios com ADRs na NYSE e a atividade lá continua normalmente? Só em Pindorama mesmo...
** Se quiserem comento sobre o assunto em outra oportunidade.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

sábado, 4 de outubro de 2008

An Update On the Classic Dow Theory


A Dow Theory - conforme preconizada por Charles Dow e sistematizada por Hamilton e Rhea - hoje encontra poucos adeptos conhecidos. Resume-se na premissa de que DJIA e DJT devem estar em sincronia. Quando isso não ocorre surge a "não-confirmação" (nonconfirmation) A crítica mais conhecida é aquela que diz ser a DJ Transportation Average anacrônica para os tempos atuais. No entanto, temos um bear market confirmado pela Teoria desde o final do ano passado.

Alguns analistas criaram algumas variações da teoria "original", inserindo outras médias. Um detalhe importante desta é que a chamada nonconfirmation não é um sinal inverso. Ou seja, não invalida o sinal anterior. Depois de um bom tempo analisei o comportamento do DJIA e do DJT a partir de uma postagem no Trading In Blog semana passada. Fato curioso está prestes a ocorrer: a continuação do selloff no DJT deixará novamente ambas médias em sincronia (in sync), algo que não ocorria desde o final do ano passado. Um bull market está muito longe de ser sinalizado pela DT: só em um rompimento das linhas amarelas por ambas médias (não necessariamente simultâneo).

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Mind Traps

Os mercados de equities mundo afora exibiram em setembro um padrão não visto nos últimos anos. Não falo de grandes selloffs, mas de tendências intraday, que são abruptamente interrompidas no dia seguinte, um sinal de grande desorientação dos players. Isso tem causado raríssimo aumento na volatilidade histórica (VH), não observável de 2002 para cá, em meio a uma "sensação" de pequeno fundo.

Esse aumento de VH sugere aos mais prudentes que o melhor lugar para posicionamento é do lado de fora. Imagino que vários amantes do intraday, neófitos em AT, estejam acumulando perdas pesadas - imbuídos do "sentimento de vingança" - em um mercado de lado ao imaginarem o follow-thru no dia seguinte (que não vem). Fechamentos fortes em uma das direções são brutalmente negados no dia seguinte. Operações são estopadas. E preços lentamente voltam aos níveis da abertura no final do dia, gerando um sentimento de raiva. Muitos não suportarão a frustração desses dias. Abandonarão a prática e passarão para a filosofia do fundamentalismo ortodoxo.

Agora...o que me levou a chamar a postagem "Mind Traps"? Se eu comecei a observar esse comportamento repetitivo no price action, a minoria atenta também está. Logo, é bem provável que esteja com os dias contados. E tenhamos follow-thru em qualquer uma das direçôes por alguns dias. Convém, portanto, evitar aquele sentimento de complacência, típico dos iniciantes.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

No Creo En Brujas Pero...

Desde que comecei a estudar profundamente os mercados de livre negociação uma coisa sempre ocorria com relação aos gaps (espaços de preços sem negociação). Um dia fechavam. Podia levar dias, semanas ou meses. Não importa. Para minha incredulidade, fechavam. Impressionante. O estudante novato de technical analysis geralmente fica paralisado diante de um "gap aberto" (unfilled gap) esperando que se feche imediatamente. Às vezes perdem rallies atraentes porque não têm coragem de clicar no mouse.

Algum leitor poderia alegar que os dois movimentos bruscos nos yields do chart acima foram "artificiais" pois estão intimamente vinculados a notícias de rejeição, em um dia, e de provável aprovação, no seguinte, do bailout de Mr. Paulson. Daí provavelmente esse "componente de artificialidade" seja levado em consideração no inconsciente coletivo da massa. E esse gap nos yields dos Treasuries de 10 anos poderá nem fechar. É um bom argumento. Um dia pensei assim. No entanto, vos digo: irá fechar. E não levará tanto tempo. Convém observar que gaps análogos foram abertos no mercado de equities como um todo. Uma vez li uma frase que nunca esqueci: Markets abhor vacuum (mercados detestam vácuo). É verdade.

"Ok, Fact! E eu com isso?!" Simples, my friend, um selloff nos bondmarkets sugere fraqueza no de equities em Wall St. E convém não se iludir com algum upside no curto prazo. Chickens come home to roost.