Well, er, What Do Readers Get Here? No Hindsight. No Bullshit. No Charlatanism.
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terça-feira, 19 de novembro de 2019
domingo, 20 de setembro de 2015
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
What Should We Look At Right Now?
A ação coordenada dos principais BCs serviu de trigger para mais um desses rallies impressionantes, revertando tendência intermediária nas médias yankees. O que teria acontecido sem a intervenção deles? Nunca saberemos. Não é possível reproduzir o mesmo ambiente macroeconômico em dois momentos diferentes. Por isso, não se pode dizer que a atividade de investimento seja uma ciência em sentido estrito. A reprodução de eventos não é possível. Bem, é só mais um food for thought. O trader/especulador não deveria considerar seriamente esse tipo de elucubração. É uma tremenda perda de tempo.
Uma das minhas frases preferidas relacionada a equities é "It is what it is". Aqueles que acreditam em racionalidade no mercado acionário deveriam ser value investors. Reconheço que existe, sim, racionalidade no longo prazo. Mas onde ele fica? Realmente não sei. Pode ser daqui a 2 ou 3 ou mais anos. Conheço alguns value investors com amplo conhecimento teórico. E lhes garanto: a expectativa média de retorno de seus investimentos é inferior a esse período.
A racionalidade é um conceito muito limitado em ambientes de livre negociação. Mas há alguns parâmetros que devem ser examinados para que se tenha razoável convicção de que players atuam de maneira harmônica. Ocorreu-me escrever a respeito quando li uma postagem (aqui) de poucas horas atrás de Mike Shedlock. "Mish" - apesar da boa audiência diária - não me parece ser um analista que se possa chamar de mainstream. Long story short. Chama a atenção para a queda dos yields dos títulos franceses e italianos. [Bigcharts.com possui esses tickers.] Vos digo: qualquer rally em equities mundo afora só será sustentável se yields dos títulos desses países mostrar retração considerável. Não que equities não possam engrenar um rally, principalmente na ocorrência de um colossal short covering. [Apenas a título de informação, nesse momento grandes hedge funds continuam vendidos.] Mas fica o recado: movimentos pra cima ou pra baixo tendem a ser mais consistentes quando os tradicionais mercados intrinsecamente antagônicos falam a mesma língua.
Uma das minhas frases preferidas relacionada a equities é "It is what it is". Aqueles que acreditam em racionalidade no mercado acionário deveriam ser value investors. Reconheço que existe, sim, racionalidade no longo prazo. Mas onde ele fica? Realmente não sei. Pode ser daqui a 2 ou 3 ou mais anos. Conheço alguns value investors com amplo conhecimento teórico. E lhes garanto: a expectativa média de retorno de seus investimentos é inferior a esse período.
A racionalidade é um conceito muito limitado em ambientes de livre negociação. Mas há alguns parâmetros que devem ser examinados para que se tenha razoável convicção de que players atuam de maneira harmônica. Ocorreu-me escrever a respeito quando li uma postagem (aqui) de poucas horas atrás de Mike Shedlock. "Mish" - apesar da boa audiência diária - não me parece ser um analista que se possa chamar de mainstream. Long story short. Chama a atenção para a queda dos yields dos títulos franceses e italianos. [Bigcharts.com possui esses tickers.] Vos digo: qualquer rally em equities mundo afora só será sustentável se yields dos títulos desses países mostrar retração considerável. Não que equities não possam engrenar um rally, principalmente na ocorrência de um colossal short covering. [Apenas a título de informação, nesse momento grandes hedge funds continuam vendidos.] Mas fica o recado: movimentos pra cima ou pra baixo tendem a ser mais consistentes quando os tradicionais mercados intrinsecamente antagônicos falam a mesma língua.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
domingo, 10 de julho de 2011
"Learning To Trade" Annotated
O artigo mencionado anteriormente do Dr. Steenbarger procura sistematizar a expertise do aprendizado em 2 grandes áreas: (1) pesquisa e (2) reconhecimento de padrões. Ainda oferece uma perspectiva acerca da existência do aprendizado implícito (ou inconsciente). Como sói ocorrer em estudos acadêmicos, sistematizou-se a abordagem em módulos para melhor compreensão do objeto.
A primeira observação que convém ser feita é o fato de que (1) e (2) NÃO são experiências mutuamente excludentes. É possível aprimorar (1) com o auxílio de (2) e vice-versa. A empresa ícone da indústria baseada no tipo (1) chama-se Renaissance Technologies, a melhor gestora de fundos dos últimos 10-15 anos. Reza a lenda que o fundador Jim Simmons contrata expoentes de ciências exatas, preferencialmente sem qualquer exposição prévia ao mundo das finanças.
Em Pindorama nos últimos anos explodiram o número de pequenas firmas especializadas em "pacotes quantitativos". Vez ou outra o GoogleAdsense pesca anúncios dessas empresas. Note-se que estamos abordando a área de algo trading. Como são basicamente "pacotes" (não monitorados por data mining) é altamente improvável que sua implementação traga algum retorno consistente. A linha de pesquisa mais popular por aqui está na área de mechanical systems, mormente baseados em médias móveis e indicadores de preços. [Quem não conhece o fórum do setup 1.3.5.6.7?] Como acredito ser estatisticamente inconsistente usar somente preços para prever preços, o overfitting citado por Steenbarger em Brasilândia frequentemente dá lugar ao underfitting. Leia-se, outras variáveis não relacionadas exclusivamente a preços são igualmente relevantes e desprezadas.
A segunda forma de desenvolvimento (2) - conhecida popularmente como análise técnica - é bem mais popular, a primeira escolha da maioria. O subjetivismo intrínseco dos padrões conhecidos torna insatisfatório o uso de scanning softwares. Padrões de candlesticks (piercing and engulfing patterns, dojis, etc.), por outro lado, são facilmente detectados por esses programas. Contudo, são ferramentas meramente acessórias. A Teoria Dow é uma espécie do gênero análise técnica. E centra-se em torno de poucas premissas que dificilmente poderiam ser chamadas de "técnicas". Esse é um anacronismo que a maioria dos estudantes sequer chega a perceber. Desistem muito antes disso. Vejam, por exemplo, que a maior parte dos movimentos de alta e baixa não possuem linhas de tendência definidas. No entanto, a primeira coisa que fazem os usuários dessa técnica é traçar LTs insignificantes. Poder-se-ia acreditar que por ser "técnica", estudantes de ciências exatas ou com background nessa área tenham vantagem em seu desenvolvimento. Errado.
Uma importante passagem do artigo do Dr. Steenbarger diz que a expertise adquirida por meio de (2) não pode ser aprimorada por meio de pesquisas mais aprofundadas, ao contrário do que ocorre com (1). É fundamental que o estudo teórico seja acompanhado de prática intensa e mentoring. Aqui a comparação com a atividade de médico residente é muito apropriada. Se a primeira parte é acessível. Em Brasilândia, a segunda já não o é, dado o desconhecimento da existência de pessoas notoriamente habilitadas para tal tarefa. Fiquei chocado esses dias, p.ex., quando um participante - de um fórum virtual - tido por mim como excelente contrarian indicator tornou-se intrutor (!?) após reiterados pedidos dos seus membros (!?). Blind leading the blind! O mentoring/coaching proporcionado por gente sem qualquer track record conhecido é a nova moda de comércio. Assim como nas casas de má reputação, paga-se por hora.
O aprendizado implícito, a meu ver, está intimamente ligado ao estágio da competência inconsciente. O autor identificou genialmente que alguns fatores como a imersão superficial ou a consciência da existência de regras por parte do treinando são fatores comprometedores ou mesmo impeditivos desse aprendizado inconsciente. Dr. Steenbarger atribuiu a imersão superficial à falta de tempo (part-time trading). Ao longo dos anos tenho observado que o chamado dollar-counting é outro fator impeditivo da imersão. Ou seja, não basta ter tempo e dedicação se o estudante conta quanto se perde ou ganha em cada tick. A tendência à "contagem de dinheiro" é proporcional à alavancagem utilizada e/ou ao comprometimento do patrimônio. Ou como nos recomendam os yankees, do not trade with scared money. Não é de admirar que o paper trading (simulador) seja fábrica de milionários e real trading, de frustrados. Por isso, o desprendimento (detachment) assim como o tempo dedicado é também condição necessária ao aprendizado implícito. Sobre desprendimento há uma estória da qual gostaria de compartilhar: Em 2001 tomando chopp com um amigo, grande operador de opções, soube que ele havia perdido uma soma considerável de dinheiro (R$40k, em valores atuais) quando a plataforma P-36 da Petrobrás afundou. Naquele momento ele estava incomunicável, dentro de um avião. Daí não conseguiu ser alcançado pelo funcionário da corretora que cuidava de suas operações. Até então não tinha percebido nenhum aborrecimento pela sua expressão facial, o que não aconteceu quando ele narrou a aporrinhação por que passou em seu condomínio ao constatar que haviam roubado na garagem sua bicicleta de R$400. Sem desprendimento vê-se o padrão recorrente de aspirantes a traders de cortar ganhos e cultivar perdas crescentes.
Acredito que a minha maior habilidade seja a de perceber sentimentos extremos de herding nos preços livremente negociados. Todo movimento de preços - em qualquer timeframe - traz implícito um sentimento subliminar. Mutatis mutandis essa habilidade permite antever o que irá acontecer em lojas de outlet de shopping centers, em engarrafamentos de trânsito, nas escalações do Cartola F.C. e outras situações onde o herding predomine. Como não existe qualquer literatura específica sobre o assunto, sou levado a crer que aqui o aprendizado implícito tenha tido grande peso. Bem, encompridei demais essa postagem, não? Até a próxima.
A segunda forma de desenvolvimento (2) - conhecida popularmente como análise técnica - é bem mais popular, a primeira escolha da maioria. O subjetivismo intrínseco dos padrões conhecidos torna insatisfatório o uso de scanning softwares. Padrões de candlesticks (piercing and engulfing patterns, dojis, etc.), por outro lado, são facilmente detectados por esses programas. Contudo, são ferramentas meramente acessórias. A Teoria Dow é uma espécie do gênero análise técnica. E centra-se em torno de poucas premissas que dificilmente poderiam ser chamadas de "técnicas". Esse é um anacronismo que a maioria dos estudantes sequer chega a perceber. Desistem muito antes disso. Vejam, por exemplo, que a maior parte dos movimentos de alta e baixa não possuem linhas de tendência definidas. No entanto, a primeira coisa que fazem os usuários dessa técnica é traçar LTs insignificantes. Poder-se-ia acreditar que por ser "técnica", estudantes de ciências exatas ou com background nessa área tenham vantagem em seu desenvolvimento. Errado.
Uma importante passagem do artigo do Dr. Steenbarger diz que a expertise adquirida por meio de (2) não pode ser aprimorada por meio de pesquisas mais aprofundadas, ao contrário do que ocorre com (1). É fundamental que o estudo teórico seja acompanhado de prática intensa e mentoring. Aqui a comparação com a atividade de médico residente é muito apropriada. Se a primeira parte é acessível. Em Brasilândia, a segunda já não o é, dado o desconhecimento da existência de pessoas notoriamente habilitadas para tal tarefa. Fiquei chocado esses dias, p.ex., quando um participante - de um fórum virtual - tido por mim como excelente contrarian indicator tornou-se intrutor (!?) após reiterados pedidos dos seus membros (!?). Blind leading the blind! O mentoring/coaching proporcionado por gente sem qualquer track record conhecido é a nova moda de comércio. Assim como nas casas de má reputação, paga-se por hora.
O aprendizado implícito, a meu ver, está intimamente ligado ao estágio da competência inconsciente. O autor identificou genialmente que alguns fatores como a imersão superficial ou a consciência da existência de regras por parte do treinando são fatores comprometedores ou mesmo impeditivos desse aprendizado inconsciente. Dr. Steenbarger atribuiu a imersão superficial à falta de tempo (part-time trading). Ao longo dos anos tenho observado que o chamado dollar-counting é outro fator impeditivo da imersão. Ou seja, não basta ter tempo e dedicação se o estudante conta quanto se perde ou ganha em cada tick. A tendência à "contagem de dinheiro" é proporcional à alavancagem utilizada e/ou ao comprometimento do patrimônio. Ou como nos recomendam os yankees, do not trade with scared money. Não é de admirar que o paper trading (simulador) seja fábrica de milionários e real trading, de frustrados. Por isso, o desprendimento (detachment) assim como o tempo dedicado é também condição necessária ao aprendizado implícito. Sobre desprendimento há uma estória da qual gostaria de compartilhar: Em 2001 tomando chopp com um amigo, grande operador de opções, soube que ele havia perdido uma soma considerável de dinheiro (R$40k, em valores atuais) quando a plataforma P-36 da Petrobrás afundou. Naquele momento ele estava incomunicável, dentro de um avião. Daí não conseguiu ser alcançado pelo funcionário da corretora que cuidava de suas operações. Até então não tinha percebido nenhum aborrecimento pela sua expressão facial, o que não aconteceu quando ele narrou a aporrinhação por que passou em seu condomínio ao constatar que haviam roubado na garagem sua bicicleta de R$400. Sem desprendimento vê-se o padrão recorrente de aspirantes a traders de cortar ganhos e cultivar perdas crescentes.
Acredito que a minha maior habilidade seja a de perceber sentimentos extremos de herding nos preços livremente negociados. Todo movimento de preços - em qualquer timeframe - traz implícito um sentimento subliminar. Mutatis mutandis essa habilidade permite antever o que irá acontecer em lojas de outlet de shopping centers, em engarrafamentos de trânsito, nas escalações do Cartola F.C. e outras situações onde o herding predomine. Como não existe qualquer literatura específica sobre o assunto, sou levado a crer que aqui o aprendizado implícito tenha tido grande peso. Bem, encompridei demais essa postagem, não? Até a próxima.
sábado, 25 de junho de 2011
"Learning To Trade" By Dr. B. Steenbarger
Deve ser a primeira vez que endosso a leitura de artigo específico por aqui. Portanto, deve haver algo sui generis por trás dele. O forense Marx - em comentário à última postagem - sugeriu-nos a leitura de "Learning To Trade" da lavra do conhecido psicólogo, escritor, professor e trader* norteamericano. O título desta recebeu a extensão "parte I" porque apenas na "parte II" farei minhas considerações e testemunhos sobre o interessante (e comprido) opúsculo do Dr. Steenbarger. As estatísticas mostram que o visitante permanece aqui por 2 min e 30 seg. Portanto, faça o download e leia-o com calma (se for de seu interesse, claro). Faça-o de preferência longe da Internet e do monitor, onde as pessoas, em busca de notícias, não conseguem parar por mais de 3 minutos em lugar algum.
* Não necessariamente nesta ordem.
domingo, 19 de junho de 2011
IFR2 Ou IFR5? MM5 Ou MM7?
Recebi esses dias email de uma corretora onde mantinha conta. O propósito era divulgar um serviço de backtesting recém-disponibilizado aos clientes, sem ônus adicional. Essa atividade de emulação tem se tornado bastante popular em Brasilândia recentemente. Vimos o mesmo ocorrer por aqui há quase 10 anos com os simuladores (paper trade). Há um grande gimmick por trás do chamado backtesting: Quem não gostaria de implementar suas próprias estratégias automatizadas? Afinal essa parece ser uma solução mais razoável que simplesmente pagar por serviços "proprietários" periodicamente ou comprar pacotes do tipo "black-box". Há, claro, um aspecto negativo que a maioria não considera: O usuário não entenderá a lógica do ebb-and-flow de preços das várias classes de ativos. Ou seja, não me coloco contra trading systems, desde que o usuário possua uma base firme de conhecimento.
Vejamos um caso hipotético no qual Zé Esperto tenha obtido um resultado de 80% de acerto em um backtest de 4 anos com drawdown máximo de 3%. Imaginemos que na primeira entrada o papel X comece a escorregar pra baixo do preço de compra. O prejuízo potencial vai se avolumando. E em dias já supera os 3%! Yikes!! O que Zé Esperto - que não compreende o balé dos preços - fará com esse drawdown inesperado? Duas alternativas se apresentam: "paga para ver" ou "estopa". Com relação à primeira ocorreu-me um relato do conhecido trader de commodities Larry Williams que tinha um amigo que amealhara alguns milhôes de dólares na década de 70 com uma estratégia específica. Continuou a praticá-la e perdeu quase toda sua fortuna. Irresignado, suicidou-se. Se seguir a segunda (leia-se, uso de estope loss imprevisto), é bem mais provável que continue a trilhar o caminho do backtesting, com outro tipo de estratégia. Mudará um periodozinho do(s) indicador(es) aqui e outro ali. Apostará que a anteriormente escolhida foi a culpada pelo insucesso. Errado. Em nenhum momento ele saberá por que determinado sistema funcionou ou deixou de funcionar. Assim como Charles Chaplin no filme Tempos Modernos, o seu entendimento não vai além do "aperto de porcas em uma linha de montagem". A estratégia mais popular - conhecida como IFR2 em Pindorama - teria causado perdas significativas nos trades dos incautos, quase sempre em posições compradas, no crash de 2008. Um conhecido trader veterano, radicado nos E.U.A., há um mês escreveu para informar en passant que devolveu todo o lucro do ano no mercado futuro (choppy) de cobre. Esperou por uma tendência que nunca se desenvolveu. No entanto - embora não tenha se manifestado nesse sentido - sabe exatamente que a perda não decorreu da estratégia utilizada e sim do seu equívoco na interpretação da estrutura de preços.
Apenas observem que ao longo da existência do MFF tenho identificado com antecedência (e consistência!) pontos de inflexão nos principais índices que não raro se revelam importantes tops e bottoms* intermediários. A habilidade de market timing só é possível se o observador compreende os diversos aspectos da estrutura de preços. O estudo (necessário, claro) não é suficiente. Esse aprendizado leva uns bons anos anos se houver sério compromisso. Menos tempo se o aprendiz possuir orientação adequada. Por outro lado, se buscado em esforços esporádicos, individuais e eventuais - o caminho escolhido pela maioria - essa arte NUNCA será assimilada. A escolha é do freguês.
* Postagens registradas sob o marcador "track Record do blog".
Apenas observem que ao longo da existência do MFF tenho identificado com antecedência (e consistência!) pontos de inflexão nos principais índices que não raro se revelam importantes tops e bottoms* intermediários. A habilidade de market timing só é possível se o observador compreende os diversos aspectos da estrutura de preços. O estudo (necessário, claro) não é suficiente. Esse aprendizado leva uns bons anos anos se houver sério compromisso. Menos tempo se o aprendiz possuir orientação adequada. Por outro lado, se buscado em esforços esporádicos, individuais e eventuais - o caminho escolhido pela maioria - essa arte NUNCA será assimilada. A escolha é do freguês.
* Postagens registradas sob o marcador "track Record do blog".
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Gordon Gekko "Lite"
Às vezes me pergunto por que não me animei com os avatares de Mr. Cameron, como a maioria. Talvez esteja sendo acometido do banzo típico dos que envelhecem...Vejo mais fantasia em Labirinto com David Bowie, filme da década de 80, que naqueles recursos 3D.
Tentando resgatar aquela fantasia e otimismo da época, pus-me a ver ontem a sequência de Wall Street de Oliver Stone. Como peça cinematográfica pareceu-me razoável. Como sequência, uma decepção. Em 1987 todos queriam ser Gordon Gekko. Os EUA conseguiram emergir milagrosamente de anos difíceis no início da década, época em que o exemplo de pujança econômica era o Japão. O otimismo das sociedades se irradia para todas as formas de arte. "Greed Is Good".
Em Money Never Sleeps há uma preocupação excessiva com a atitude politicamente correta. Torna-se cristalino o ressentimento que os americanos de classe média têm atualmente em relação aos mais afluentes de Wall St. Gekko, por vias transversas, acaba financiando as atividades de uma indústria de energia alternativa. Bud Fox (Charlie Sheen), um dos protagonistas da primeira versão, faz uma aparição patética em um coquetel (fora do contexto da trama). Enfim...ao final da sessão pareceu que assisti a uma hora e meia de propaganda eleitoral. O cast não contou sequer com uma atriz de seios fartos para prender minha atenção. Mr. Stone nunca foi adepto de confecção de trilogias. Espero que não o faça agora.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Spying On Berkshire Hathaway Moves...
Periodicamente fund-managers são obrigados a reportar suas 15 maiores posições à Securities Exchange Commission. Considerando o invejável track record de Mr. Buffett, natural que seus movimentos despertem a curiosidade de uma legião de investidores. Não estão sozinhos. O próprio renomado value investor Monish Pabrai possui boa parte da posição de seu fundo nos domínios do Oráculo de Omaha. Junto com ele fazem o mesmo milhares de small fund managers e clubes de investimento. No último trimestre a alocação mais significativa do Berkshire Hathaway (BRK/B) foi um reforço de 73% da posição anterior em Johnson & Johnson (JNJ). Vide métricas razoáveis no link. Uma alocação tipicamente defensiva à la Buffett.
Recente motivo de chacota foi a revelação por parte dos gestores do Soros Fund Management de que se livraram da grande posição que tinham em uma empresa de energia de Pindorama. A política de investimento resistiu a todas débaclés recentes dos mercados financeiros (LTCM, crise asiática, Internet bubble, housing bubble et alli), mas sucumbiu à resiliência de uma quadrilha com alto grau de organização. Ouso dizer que foi uma das piores alocações dos dois filhos de Soros, que atualmente estão à frente da gestão do SFM. Foram vítimas das vertentes do risco sistemático e específico do papel ao mesmo tempo. No mais, continuam diminuindo a exposição do fundo ao mais famoso gold ETF (GLD), segundo trimestre seguido que fazem isso, por sinal. Aliás, realocação em linha com minhas análises (clique aqui).
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Analysis Of A Recent Poll Among Readers
O momento é apropriado para fazer alguns comentários acerca dos resultados da enquete, cujos resultados encontram-se (por enquanto) na parte superior direita do blog. Em linhas gerais podemos dizer que 2/5 dos leitores acreditam que as notícias em hipótese alguma dão a direção dos mercados. Outros 2/5, que isso pode ocorrer dependendo da magnitude da notícia. O pessoal remanescente (1/5), que notícias e eventos são os principais drivers dos preços das ações. Acredito que se uma enquete do gênero fosse levada a um site de grande penetração popular os resultados seriam razovelmente diferentes. Explico por que mais adiante.
Depois de uma breve pesquisa associei ao chart do SP500 acima as notícias aparentemente mais relevantes na ocasião. Não é possível observar qualquer padrão nos dias que se seguem a divulgação de notícias "bombásticas". Se esse espaço reunisse leitores sem qualquer especialização, não poderiam 40% dos votantes afirmar que notícias e eventos são irrelevantes. O vulgo é levado a acreditar que o price action dos mercados é refém do fluxo incessante de notícias e eventos caóticos diários. Talvez muitos não saibam, mas dias após o assassinato de John Kennedy em novembro de 1963 os mercados americanos engrenaram um rally ininterrupto por meses (!). Dada a complexidade (ou mesmo sua impossibilidade) de uma metodologia que tentasse associar notícias a performance de preços, tenho que me ater às evidências. Até hoje não consegui perceber qualquer relação entre notícias supostamente "ruins" ou "boas" e a direção de preços negociados livremente. Quando muito temos abertura de trading sessions na direção esperada para vermos fechamentos fortes na direção oposta. Percebo mais comumente o price action do mercado passar a pautar a divulgação de notícias. Adaptam-se estas àquele. E não o inverso, como supõe a sabedoria popular. Estudos mais abrangentes mostrando como a economia dita o comportamento social são feitos por uma ciência relativamente nova chamada Socionomia, área na qual o americano Robert Prechter é especialista.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
The Mighty Relentless Rally
Bullish advisors atingiram leituras acima de 53% - a mesma vista na correção de janeiro - segundo a Investors Intelligence. Então seria razoável admitir que veremos novo selloff, certo? Errado. É possível que esse percentual continue aumentando até a leitura crítica dos 60% no acompanhamento da escalada dos preços. Apesar do sentimento ser negativo sob o ponto de vista dos bulls, price action simplesmente não exibe sell signal. Bem...muitos devem imaginar que sinal seria esse na tendência terciária. Então lá vai: fechamento abaixo da 20 DMA no SPX. Hoje está em 1190 aproximadamente. Por quê? Simplesmente conseguiu reverter milimetricamente na última semana dois lows intraday. Então nada mais natural que assumir que um fechamento abaixo desse benchmark signifique uma clara modificação no sentimento.
Até onde vamos? Não faço a mínima ideia. Enquanto a mídia continuar bombardeando seus leitores com novidades apocalípticas (pindaíba da Grécia, fraudes do Goldman Sachs nos CDOs, etc.) é difícil acreditar que uma correção decente ocorra. Acabei de tomar conhecimento de um artigo do Mark Hulbert (A very friendly trend), no qual o admirável editor relata uma descoberta do analista Ned Davis. Recomendo a sua leitura aos que gostam de adivinhar topos.
terça-feira, 30 de março de 2010
Where Is That Long-Awaited Correction?

Um livro de Cliff Droke chamado "Technical Analysis Simplified" é uma boa leitura (básica) sobre o assunto. Há vários excerpts de obras dos ancestrais da Dow Theory (Robert Rhea et alli). No penúltimo capítulo há um trecho instigante: "...It is this author's observation that applying the principles discussed in this book will result in a accurate of the market roughly 75 of the time..." Cliff quis dizer que os 25% restantes dependerão de outros tipos de análise (ou de premonição ou qualquer outra coisa). Claro que é impossível estar correto 100% do tempo. Mas acho que vocês captaram a idéia.
Apesar da magnitude desse rally iniciado em meados de fevereiro, há ainda insistente ceticismo no stock market. Acreditem se quiser: a maioria de meus indicadores ainda não atingiu os extremos verificados em meados de janeiro. Tal circunstância não é perceptível se basearmos nossas análises apenas na análise técnica convencional, já que há uma clara diminuição de momentum. Por outro lado, ainda há quantidade expressiva de dinheiro à espera de uma correção. Mr. Market está aí para frustrar a maioria.
Via de regra o despertar da letargia vem de variação de preços que causam profundo choque nos ainda céticos. Não se surpreendam se SPX continuar sua winning streak essa semana com rompimento dos 1.180 no SPX. O grau de ceticismo pode ser visto aí acima na razão "bullish/bearish advisors" da Investors Intelligence. Números próximos de 3 sinalizam chance grande de ponto de inflexão iminente. Vejam a impressionante complacência vista em janeiro último (elipse verde). Na época ressaltei essa circunstância por meio de outros indicadores.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Interview With Nassim Taleb
Um trio de traders - dentre eles, N. Taleb - entrou para o Hall Of Fame ao shortar o mercado naquele dia fatídico de outubro de 1987. Façanha análoga à de Livermore no Crash de 30 e de John Paulson em 2008. A entrevista em consideração (clique aqui) traz um pouco da biografia do notável personagem. Dado o conteúdo relativamente extenso para a atenção fugaz dos visitantes*, selecionei o seu trecho mais relevante (do meu ponto de vista):
"L.G.: But you know what the markets are doing.
N.N.T.: Same thing with the markets. I don't know what they're doing at any point in time except when they do a lot—because your brain cannot distinguish between small and big. We have so much evidence of that. Some events have massive consequences, and you should look at them. But if you look at the Dow and it moves a little, it's not even statistically significant, you cannot see it without some emotional reaction and some theorizing. So you want to theorize as little as possible. But today, I am interested in the market, because the euro had the biggest move in a long time. Today, I'm concerned. The euro moved a lot.
L.G.: Downward.
N.N.T.: Yeah, and I'm interested—so today it's information. When something is moving barely, it's not information. If you were to read the newspaper account of things, the discussion should be, because of the size of the move today, a billion times longer than the discussion you get on a regular day. It moved 3 cents. To $1.50-something. That is worth discussing when it happens once a year in the euro. If the stock market crashes, that's information. If it moves five points, it's not. So when you listen to radio, they're going to tell you in the same-length program whether it moved five points, or 23 percent. And the lengths of newspapers should be in proportion to the importance of the facts—and they're not.
..."
Ao contrário de Taleb, ainda não cheguei ao extremo de me alijar da leitura de jornais, revistas et alli. Nas rodas sociais precisamos parecer o mais normal possível. Mesmo entre supostos investidores, não convém falar, por exemplo, que a Bolsa de Pindorama é uma instituição voltada para fora do país. Melhor falar daquela bunduda do Big Brother ou do personagem de José Mayer na novela das oito.
Com relação à parte sublinhada do excerpt acima, talvez agora tenha ficado claro por que dezembro passado foi o mês em que foi produzido o menor número de postagens de 2009. Se o price action não produziu nada, digamos...noteworthy, provavelmente mais dias passarei longe do Blogger.com. Essa não é uma tendência de outros blogs e sites comerciais**, que são obrigados a produzir conteúdo independentemente do price action.
Taleb me passa a idéia de certa intolerância com a mediocridade. Note-se que antes de assumir a conhecida conotação pejorativa esse conceito tem significado meramente estatístico. Optei por me entreter com ela, mormente naqueles momentos em que fatos de suposta grande repercussão nos mercados são propagados à velocidade da luz (taxação de ADRs brasileiros, débâcle do Dubai World...). E passado um ou dois dias, preços retomam a tendência anterior. Por que isso acontece? Bem, não vou encompridar esse texto. Depois escrevo um pouco mais a respeito.
* Perceberam a ironia? :D
** "Podia comentar Merposa PN?"; "Fulano, comprei Merposa PN na sexta. Estopo agora ou espero quicar?"
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
"Whick Will Blink First?" (@all rights reserved)
Acho que fiz dois calls únicos na Internet*: em 01/set sugeri um novo rally em Gold. E em 24/set, fiz o mesmo em relação aos Treasuries. E assim ocorreram nos dias 2/set e 25/set, respectivamente. Bem, mas essa postagem não tem a ver com esse assunto.
Historicamente não podem coexistir por muito tempo rallies em Treasuries e em metais preciosos (notadamente, ouro). Estes servem basicamente como instrumento de hedge contra perda de valor na moeda em que são referenciados. Aqueles vicejam em ambientes deflacionários. Então, o que se pergunta é por quanto tempo prosseguirá essa dissonância. Analogamente postei esses dias algo sobre o assunto (clique aqui). Infelizmente não é normal sabermos o motivo de determinada precificação no momento em que ela ocorre. Isso eventualmente só será sabido no hindsight. Livermore sintetizou muito bem: "wait for a reason and miss the opportunity".
A ideia em escrever a respeito surgiu hoje com artigo recente de Mark Hulbert, um dos analistas que merece minha consideração, pela singularidade de suas análises. Apresenta argumentos na defesa da tese de que bond traders estão errados e goldbugs, certos. Apesar de reconhecer seu trabalho, MH é basicamente um contrarian - editor de conhecido indicador - e não um technician notório. E em outras oportunidades deixei subentendido que contrarian analysis é um poderosa ferramenta - de curto prazo - aliada à technical analysis. E não o inverso. Ironicamente, do outro lado, temos Bill Gross da PIMCO recomendando Treasuries ou títulos corporativos de rating AAA, desde setembro, pelo menos. O excesso de oba-oba nesse gold rally me incomoda. Parece que todos pularam dentro do barco para não "perder a carona". Ficou popular em pouco tempo. MH ressalta a reticência de gold timers como fator bullish. Mas até que ponto especialistas do ramo podem ser considerados bons indicadores contrários?
* Claro, se um leitor souber de alguma análise análoga divulgada por terceiros por aqueles dias, fique à vontade pra postar o link.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Words of Wisdom From The Boy Plunger
Nada como um hiato para tratar de amenidades...Otto Von Bismarck dizia que preferia aprender com as experiências alheias às suas próprias. Faz sentido. Abrevia-se o caminho ao longo da curva de aprendizado. Daí uma das razões de ter me transformado em um leitor compulsivo, principalmente na área de finanças e price action.
O lendário Jesse Livermore tinha um dito que assombrava a muitos: "Wait for the reason and miss the opportunity" (ou algo do gênero). Um amigo de mercado dizia frequentemente que não havia entrado em determinado papel porque ainda não havia confirmação. Esperava tanta confirmação que quase sempre ganhava frações de rallies, quando não era estopado. Não era um net loser, mas via que a tal confirmação o consumia.
Ocorreu-me comentar a respeito do assunto ao ler alguns comentários e emails (esperados) acerca do post anterior. Claro que devemos agir mediante motivações. Faz parte da natureza de qualquer ser vivo. Mas esperar por obviedades - em mercados de livre negociação - só nos levará à mediocridade (conceito estatístico). Se algo é óbvio, assim parecerá a todos. Uma outra vantagem em buscar sutilidades e caminhos pouco explorados reside no fato de que quando as premissas não se mostrarem verdadeiras, o investidor normalmente terá tempo de se redimir saindo no breakeven. Daí minha relutância em estabelecer stop losses estáticos. Tal fato não ocorre em meio a padrões vulgares, porque quando a multidão percebe o erro reage rápido em sentido contrário. Food for thought. ;)
O lendário Jesse Livermore tinha um dito que assombrava a muitos: "Wait for the reason and miss the opportunity" (ou algo do gênero). Um amigo de mercado dizia frequentemente que não havia entrado em determinado papel porque ainda não havia confirmação. Esperava tanta confirmação que quase sempre ganhava frações de rallies, quando não era estopado. Não era um net loser, mas via que a tal confirmação o consumia.
Ocorreu-me comentar a respeito do assunto ao ler alguns comentários e emails (esperados) acerca do post anterior. Claro que devemos agir mediante motivações. Faz parte da natureza de qualquer ser vivo. Mas esperar por obviedades - em mercados de livre negociação - só nos levará à mediocridade (conceito estatístico). Se algo é óbvio, assim parecerá a todos. Uma outra vantagem em buscar sutilidades e caminhos pouco explorados reside no fato de que quando as premissas não se mostrarem verdadeiras, o investidor normalmente terá tempo de se redimir saindo no breakeven. Daí minha relutância em estabelecer stop losses estáticos. Tal fato não ocorre em meio a padrões vulgares, porque quando a multidão percebe o erro reage rápido em sentido contrário. Food for thought. ;)
terça-feira, 7 de abril de 2009
Words Of Wisdom From Larry Williams
"There is a big difference in the emotional state of the "public" and the "professionals" that I think one can measure through watching the entry and exit styles they are most apt to use...The key difference is the public (or almost always wrong) trader appears to be unduly influenced by opening prices. In fact, this relationship is so consistent that since 1969 I have advocated the use of opening prices for all market measures." (Larry Willliams, October, 1991 in Commodity Timing)
Larry Williams tem uma escrita agradável (rara em autores do gênero) combinando informações sobre trade systems e reminescências da sua prática. Pensei em escrever sobre o opening price porque confirmo por observação que o "público" é muito sensível a ele. O dia em que o Ibroxespa subiu mais de 4% - rompendo os 43k - foi amplamente tomado como positivo. Breakouts são de maneira típica recepcionados como sinal de força, independentemente de onde ocorram. O "público" ignora - ou esquece - que as grandes reversões recentes se iniciaram com preços de abertura bem diferentes do fechamento do pregão anterior (chamados gaps), sugerindo a profusão de "small traders" em ação. Vos digo que pensar no improvável é um hábito bastante salutar. E as melhores oportunidades virão de eventos improváveis (acontecimentos descontínuos). [Aprendi isso the hard way.] Não pensem que é possível destacar-se pensando como a maioria. A operação de Telesp PN é um bom exemplo recente disso. Era óbvio que um forte rally emergeria depois de uma headfake ("cabeça falsa") para baixo? Acho que não. Não era razoável supor que muitos estariam aguardando os 50,20 mencionados por mim? Sim...por isso não chegou lá. Fundamental, portanto, o acompanhamento dos technicals. E não acreditar que preços futuros possam ser previstos. Só há boa chance de acertar previsões enquanto perdurar o momentum de preços.
Larry Williams tem uma escrita agradável (rara em autores do gênero) combinando informações sobre trade systems e reminescências da sua prática. Pensei em escrever sobre o opening price porque confirmo por observação que o "público" é muito sensível a ele. O dia em que o Ibroxespa subiu mais de 4% - rompendo os 43k - foi amplamente tomado como positivo. Breakouts são de maneira típica recepcionados como sinal de força, independentemente de onde ocorram. O "público" ignora - ou esquece - que as grandes reversões recentes se iniciaram com preços de abertura bem diferentes do fechamento do pregão anterior (chamados gaps), sugerindo a profusão de "small traders" em ação. Vos digo que pensar no improvável é um hábito bastante salutar. E as melhores oportunidades virão de eventos improváveis (acontecimentos descontínuos). [Aprendi isso the hard way.] Não pensem que é possível destacar-se pensando como a maioria. A operação de Telesp PN é um bom exemplo recente disso. Era óbvio que um forte rally emergeria depois de uma headfake ("cabeça falsa") para baixo? Acho que não. Não era razoável supor que muitos estariam aguardando os 50,20 mencionados por mim? Sim...por isso não chegou lá. Fundamental, portanto, o acompanhamento dos technicals. E não acreditar que preços futuros possam ser previstos. Só há boa chance de acertar previsões enquanto perdurar o momentum de preços.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Words Of Wisdom From A She-Technician
Assisti a uma entrevista de 5 min com Linda Raschke - uma das technicians mais atuantes nos últimos anos - cujo assunto principal era o mercado de ouro. Como não sou operador do nobre metal, prestei mais atenção às idéias genéricas que pudessem ser aplicadas a qualquer mercado. Sintetizaria as falas mais importantes, na minha opinião, conforme seguem:
- "Honestly I don't think anyboby can predict where markets are gonna go...on the upside or the downside": Havia um famoso guru em Pindorama que dizia, desde 2000, que o Ibroxespa iria a 37 mil. Na época estava ainda entre 8 e 12 mil. Anos depois, quando essa pontuação foi alcançada, fui examinar a performance do clube de investimento do guru. Estava, se não me falha a memória, só levemente acima do benchmark. Como isso é possível? O que tenho visto ao longo dos anos é que os maiores profetas não confiam em suas profecias a ponto de empenhar algum dinheiro próprio;
- "Follow the technicals. Don't think where it's going to be too far out in the future": Eu mesmo não faço a mínima idéia de onde estaremos daqui a um ano. Só que isso realmente não me interessa. Pessoas quebraram ou dobraram seu patrimônio em tempo inferior a isso. Mercados em geral fornecem 3 ou 4 oportunidades excelentes por ano. E é esse timing que os investidores médios/não-profissionais deveriam perseguir;
- "In an deflationary we find that the degree of correlations between markets increases... to the downside": Nos últimos meses pudemos ter uma boa amostragem do que Linda comentou. Observou que a obra conhecida de John Murphy foi feita refletindo um ambiente inflacionário. Só para exemplificar...que tal o case atual em que Gold e USD têm apresentado correlação positiva? Eventualmente as relações se restabelecerão.
sábado, 21 de março de 2009
Expert And Implicit Learning
Esse é o nome de uma seção do livro "Enhancing Trader Performance" do Dr. Steenbarger, um conhecido psiquiatra e professor de Ciências Comportamentais na Universidade de Syracuse, NY, e trader. Reproduzo abaixo alguns trechos e elaboro em seguida sobre três idéias:
"Observation of Marc and other expert traders has shown me that expertise is the result of implicit learning under highly challenging peformance conditions...The battle-hardened veteran develops a feel for when to advance and when to take cover, when to lay down fire, and when to observe enemy behavior...These traders have seen so many markets and scenarios that they develop an anticipatory sense - a conviction that something is likely to happen because it has happened so many times before. Note that implicit learning occurs after many learning trials...After dozens and dozen of trials, subjects internalize patterns that they cannot fully describe. Perhaps this is so many highly successful traders (sic) are not distinguished by their book learning. When they say they have a "feel" for the market, they are speaking a literal truth."
"Observation of Marc and other expert traders has shown me that expertise is the result of implicit learning under highly challenging peformance conditions...The battle-hardened veteran develops a feel for when to advance and when to take cover, when to lay down fire, and when to observe enemy behavior...These traders have seen so many markets and scenarios that they develop an anticipatory sense - a conviction that something is likely to happen because it has happened so many times before. Note that implicit learning occurs after many learning trials...After dozens and dozen of trials, subjects internalize patterns that they cannot fully describe. Perhaps this is so many highly successful traders (sic) are not distinguished by their book learning. When they say they have a "feel" for the market, they are speaking a literal truth."
- "These traders have seen so many markets and scenarios that they develop an anticipatory sense": Tenho escrito ultimamente sobre o assunto com frequência. Não analiso o que se passou (hindsight) a não ser com objetivos didáticos. A maioria das postagens envolve expectativa de acontecimentos iminentes. E na grande maioria das vezes o resultado é próximo senão melhor do que se supunha (vide marcador "track record"). Isso extrapola o resultado de um aprendizado convencional de technical analysis e não é explicável por ela;
- "Note that implicit learning occurs after many learning trials": Um conhecido forense de um espaço virtual nacional tem um bordão: "Amanhã pode cair, subir ou ficar parado". Embora o overnight gap seja praticamente imprevisível (descontinuidade), o timeframe maior irá tendenciosamente predominar sobre o menor. Então quase sempre não será verdade que esses três resultados tenham probabilidades iguais de ocorrerem. Essas afirmações são típicas de investidores que não operam, que não desenvolveram "aprendizado implícito". Uma turma se esconde atrás do "longo prazo". Outra, atrás do "futuro a Deus pertence";
- "Perhaps this is so many highly successful traders are not distinguished by their book learning": Apesar do aprendizado via livros-textos canalizar e aumentar o foco em determinadas ocorrências e teorias empíricas, na prática vejo que é possível desenvolver um "senso antecipatório" apenas por meio de experiências repetidas. Tenho um amigo com mais de 25 anos de mercado que não demonstra quase nenhum aprendizado "formal". Mesmo assim concordo com a maioria de suas opiniões [provavelmente ele lerá isso].
terça-feira, 3 de março de 2009
A Lesson From Warren Buffett
O trecho acima foi retirado da última carta do Berkshire Hathaway (BH) aos seus acionistas. O Oracle of Omaha - que dispensa apresentação - lamenta o timing terrível de alguma de suas aquisições em 2008. Reconhecer erros e fazer autocríticas são hábitos vitais na rotina de investidores sérios. Mas ver esse mea culpa a partir de um dos maiores investidores de todos os tempos é ainda mais surpreendente. No caso específico do BH, a questão do timing é meio delicada, considerando o grande volume de recursos a serem alocados. Há grande restrição à liquidez dos ativos, o que gera escassez de alternativas.A observação de Mr. Buffett quanto ao timing não encontra muito apelo no meio dos seus próprios seguidores. Consta até que ganhou notoriedade por ignorá-lo. O Oráculo terá trabalho em convencê-los do contrário...[O que ele diria a investidores de Pindorama que são obrigados a engolir um dos custos de oportunidade mais altos do mundo?] Em uma postagem anterior trouxe à luz uma análise sobre a aquisição desastrada de Pinnacle Airlines (ticker PNCL) por Mohnish Pabrai, autor do aclamado Dandho Investor. E não foi a única. PNCL era/é 14-16% de seu portfolio, adquirida por preços um pouco acima de 15 dólares*. Hoje sai quase por um dólar (!).
Servindo de álibi contra esse negócio de timing há algo chamado longo prazo, que ninguém sabe exatamente onde fica. Rationale: se estou levando ferro é porque ele ainda não chegou.
* Fonte: Gurufocus.com
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